VENCENDO O ANALFABETISMO
Segundo Paulo
Freire em sua concepção
de educação crítica, “o analfabetismo nem é uma ‘chaga’, nem uma ‘erva daninha’
a ser erradicada (...), mas uma das expressões concretas de uma realidade
social injusta”. Considerando essa verdade o analfabetismo serve a vários
interesses e é condição social que revela a injustiça no seu sentido mais amplo
de negação de direitos.
Como
homem que estudou as leis desse país e votou pela justiça e o cumprimento da
verdade, me deparar com dados tão assustadores de analfabetismo me impulsiona a
lutar pela alfabetização de todos os maranhenses, num sentido de fazer justiça
a um povo que foi, a muitos anos, condenado a viver na ausência da cultura
letrada. Esse é o compromisso do Governador Flávio Dino e meu como Secretário
de Estado da Educação.
É
obvio que o problema não é simples, analfabetismo é a incapacidade de ler e
escrever. Uma pessoa analfabeta é aquela que não pode participar de atividades
a que a leitura é requerida, portanto, não tem atuação eficaz numa sociedade
“letrada”. Para fins estatísticos, analfabeta é a pessoa acima de 15 anos que
não sabe ler e escrever pelo menos um bilhete simples. O analfabetismo
compromete assim o pleno exercício da cidadania e o desenvolvimento
sócioeconómico do país, ficando a margem de direitos sociais que lhe são
garantidos.
Refletindo as
desigualdades socioeconômicas e territoriais, as taxas de analfabetismo
continuam a ser bem mais elevadas nas zonas rurais do que nas áreas urbanas, nas
regiões Nordeste e Norte do que no centro-sul do país. No Maranhão temos 19,31%
(IBGE 2010) de pessoas jovens, adultas e idosas que não sabem
ler nem escrever e esse dado é alarmante.
Desde 1996 a LDB
9394/96 já apontava para o fim dessa realidade no Brasil, contudo a diminuição
do analfabetismo tem sido gradativamente lenta. Com o Plano Nacional de
Educação – PNE surge o Plano Estadual de Educação (2014) – PEE que tem uma meta
incisiva que, ao final de 10 anos, garante a erradicação do analfabetismo
absoluto no Maranhão e diminuição em 50% o analfabetismo funcional, que é a incapacidade que uma pessoa demonstra ao não compreender textos
simples, decodifica letras, mas não entende o que lê. O pior desse quadro é que
muitas dessas pessoas passaram pela escola de ensino fundamental.
Temos
então a meta da erradicação do analfabetismo, mas associada a ela é necessário
ações efetivas, políticas de enfrentamento ao analfabetismo, e isso o governo
Flavio Dino tem implementado com muita garra e investimentos nessa área. A oferta da alfabetização é um dever do Estado, pois se constitui como
a primeira etapa da educação a que todos os brasileiros constitucionalmente têm
direito – o ensino fundamental. Imbuído desta compreensão o governo do
estado tem se voltado para a construção de uma política estadual de alfabetização
que tenha a emancipação como premissa
fundamental, com o foco na transformação de homens e mulheres. Nesse
sentido algumas ações tem sido executadas, tais como o PROGRAMA
BRASIL ALFABETIZADO – PBA e o SIM EU
POSSO – SEP.
Com isso estamos
definindo uma política de alfabetização que considere a
multiplicidade de contextos e a diversidade de educandos, para que
sejam criados ambientes alfabetizadores e que de fato
haja oferta de oportunidades de ensino e aprendizagem de qualidade para
todos com vistas a continuidade de estudos.
Se queremos
justiça social precisamos enfrentar sabiamente o analfabetismo no nosso estado.
Não dá para fazer de conta que não existe. É preciso uma gestão firme e
responsável, investimentos seguros e competentes. E esse é o caminho que
estamos adotando no enfrentamento deste problema. Para que um dia o Maranhão
seja o primeiro estado do nordeste a ser considerado zona livre de
analfabetismo e o nosso povo possa ter acesso ao direito de compreender melhor
o mundo em que vive, interagindo com esse mundo no fomento ao desenvolvimento
social.
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