ETAPAS DA
ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA ESCOLA
Podemos definir três etapas na organização de qualquer ação pedagógica
na escola: planejamento, ação e reflexão. Discorreremos agora sobre essas
etapas, de forma didática, entendendo que não são subsequentes, mas que ocorrem,
por vezes, de forma simultânea e integrada.
5.1 Tudo começa com
Planejamento
Por compreender a importância do planejamento, ressalta-se
a necessária realização deste no ambiente escolar, estabelecendo mediações
entre o conhecimento científico e o conhecimento oriundo da prática social
entre as áreas de conhecimentos, disciplinas e temas integradores.
Nesse entendimento, o trabalho docente é definido pelo
método didático na perspectiva dialética, que é fundamental na organização das
práticas pedagógicas da escola, pois, além de definir a forma de organização e
de abordagem dos conteúdos escolares, evidencia os direitos de aprendizagens.
Considerando uma boa organização pedagógica, o
planejamento docente é indispensável e obrigatório, envolvendo, minimamente,
dois momentos de construção de planos: o Plano
Anual de Ensino, construído no início do ano letivo, e o Plano de Atividade Docente (plano de
aula), que pode ser quinzenal ou mensal, de acordo com a definição da escola.
Plano
Anual de Ensino - Os planos de ensino devem ser organizados por áreas de conhecimento e realizados no âmbito
escolar, devendo conter os elementos essenciais à organização do processo de
aprendizagem e de ensino em cada período do ano letivo, bem como as
aprendizagens esperadas, os conteúdos a serem trabalhados, as metodologias de
ensino, as formas e os instrumentos de avaliação.
Plano de Atividade Docente (Aula) - Os planos de aula devem orientar o professor na
prática pedagógica diária, ressaltando, no método de ensino, a aprendizagem
esperada, a problematização inerente à prática social dos alunos, a
instrumentalização que compreende o conteúdo, procedimentos metodológicos e
recursos necessários no desenvolvimento da aula e, ainda, a avaliação da
aprendizagem no que tange à forma e instrumentos avaliativos.
É necessário que o Plano Anual
de Ensino e, consequentemente, o Plano de Aula sejam elaborados por área de conhecimento
e realizados no ambiente escolar. Isso demanda uma reorganização escolar
com definições acordadas em reuniões de planejamento.
v
PLANEJAMENTO NA
ESCOLA – O QUE FAZER PROFESSOR?
• Elaborar o
planejamento anual por série;
• Elaborar o
planejamento bimestral e/ou mensal e seus desdobramentos para o cotidiano de
sala de aula;
• Identificar as
interfaces do trabalho com as demais séries (o que pode ser trabalhado de forma
integrada);
• Elaborar rotinas de
trabalho - plano de aula;
• Avaliar
permanentemente o que foi planejado, o que foi desenvolvido e as aprendizagens
alcançadas pelos estudantes;
• Identificar os
estudantes que apresentam dificuldades de aprendizagem e coletivamente com a
equipe escolar, planejar o apoio pedagógico necessário;
• Ajustar o ensino às
possibilidades de aprendizagem dos estudantes, considerando o trabalho
integrado das séries na seleção de conteúdos e definição do tratamento
metodológico que poderá ser desenvolvido;
• Participar dos
encontros de formação continuada, contribuindo para a reflexão sobre os
problemas e desafios apresentados pelo grupo, compartilhando suas experiências
e dúvidas contribuindo, assim, para o fortalecimento do trabalho coletivo na
escola.
v
AÇÃO – REFLEXÃO –
AÇÃO
A ação reflexiva no processo de ensino e aprendizagem é claramente
notada quando se identificam os desafios que surgem na prática em relação com o
que foi planejado. Isso é absolutamente natural, o que é planejado nem sempre
se concretiza, surgem novidades e imprevistos, que mudam os caminhos e nos
provocam novos encaminhamentos. Logo, a reflexão deve estar presente em todo
processo pedagógico.
As respostas a esses desafios fazem parte do dia a dia, culminando num
vasto repertório curricular e de práticas avaliativas que sintetizam
explicações sobre o que realmente aconteceu no processo e no resultado da ação
que seria a aprendizagem discente.
Como educadores, nosso “lugar”
na sociedade facilita o trabalho reflexivo, e, ainda, nossa posição nos
constrange à reflexão, sob pena de perpetuarmos o que já existe
indefinitivamente. O que nos difere dos demais é justamente a possibilidade de
pensar novas lógicas, estabelecer coerências sistemáticas, relacionar o que
vivemos com a própria história do pensamento e transformar tudo isso em
“ação-reflexão-ação”. (BASTOS, p.89, 2015).
Identificar os desafios pressupõe a definição de estratégias
inusitadas, superação de limites, conquistas pessoais, relação entre
conhecimentos, autonomia investigativa, pesquisa científica investigativa e uma
infinidade de aprendizagens que atendem bem às expectativas da atualidade.
A prática reflexiva que envolve o currículo escolar e,
consequentemente, a avaliação da aprendizagem não pode perder de vista a ação
educativa mais global que se reflete no cotidiano escolar e retorna ao contexto, como uma versão mais elaborada cientificamente.
Avaliar é sempre demarcar referências num processo mais amplo de formação
humana. Nesse sentido, avaliar assume um caráter informativo e formativo, que
traduz seu aspecto qualitativo.
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