PARALISAÇÃO
NACIONAL DE PROFESSORES
15
a 16 de março
A Constituição Brasileira de 1988
(art. 9º) considera a greve um direito social fundamental dos trabalhadores,
uma garantia para a seguridade dos direitos humanos no contexto do mundo do
trabalho. Historicamente a greve surge após a Revolução Industrial, como
protesto à exploração trabalhista, seria uma forma de seguridade social de
direitos visando o bem maior da sociedade numa visão muito mais sistêmica que
dialética.
A importância da ação grevista na
história é indiscutível, contudo não livre de muitas manipulações políticas.
Nesta minha história de magistério público no Maranhão, 25 anos destes na
esfera pública estadual, vivi muitos momentos de greve e paralisações,
detectando, para decepção de uma jovem professora com ideais, que na sua
maioria, eram apenas manipulações em prol de benefícios políticos de outrem.
No entanto, a séria mobilização de
profissionais pode ser um instrumento de benefício social estratégico para
podermos provocar mudanças significativas na “estatus quo” das coisas e não só
podem restringir-se a interesses
coorporativos ou políticos de qualquer natureza.
Paralisações devem ser acordadas
diante da realidade do que vivemos. Os objetivos devem ser pautados no bem
social maior da população e tudo deve ser bem discutido com as partes
envolvidas. Pois nossas ações sempre tem impacto na vida de outras pessoas,
isso é sério.
Nesse momento em que há comando de
paralisação nacional para professores é importante que a minha categoria
discuta bem o momento e as condições dessa greve. No caso da rede municipal
sair de uma greve definida no âmbito da cidade e aderir imediatamente a uma
definição nacional não parece ter cabimento, até por que precisamos correr
atrás do prejuízo causado aos alunos. Greve implica em responsabilidade e
responsabilizações.
Os pontos de mobilização da greve
nacional já foram discutidos, em sua maioria, no movimento anterior. O que se
precisa fazer é, justamente, acompanhar o que já foi acertado entre as partes. Nem
sempre a posição que assumimos aparenta o que realmente é, lembro bem de um
pensamento de Darcy Ribeiro:
“Fracassei em tudo o que tentei na
vida. Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui. Tentei
salvar os índios, não consegui. Tentei fazer uma universidade séria e fracassei.
Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei. Mas os
fracassos são minhas vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu.” ( DARCY RIBEIRO )
Vitórias e fracassos são bem relativos,
principalmente, diante de uma realidade tão contraditória em que vivemos. Como
educadores devemos exercitar a reflexão
e agir refletidamente.
Um abraço a todos, Silvana Machado
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