quinta-feira, 15 de março de 2012


PARALISAÇÃO NACIONAL DE PROFESSORES
15 a 16 de março

          A Constituição Brasileira de 1988 (art. 9º) considera a greve um direito social fundamental dos trabalhadores, uma garantia para a seguridade dos direitos humanos no contexto do mundo do trabalho. Historicamente a greve surge após a Revolução Industrial, como protesto à exploração trabalhista, seria uma forma de seguridade social de direitos visando o bem maior da sociedade numa visão muito mais sistêmica que dialética.
          A importância da ação grevista na história é indiscutível, contudo não livre de muitas manipulações políticas. Nesta minha história de magistério público no Maranhão, 25 anos destes na esfera pública estadual, vivi muitos momentos de greve e paralisações, detectando, para decepção de uma jovem professora com ideais, que na sua maioria, eram apenas manipulações em prol de benefícios políticos de outrem.
          No entanto, a séria mobilização de profissionais pode ser um instrumento de benefício social estratégico para podermos provocar mudanças significativas na “estatus quo” das coisas e não só podem restringir-se a  interesses coorporativos ou políticos de qualquer natureza.
          Paralisações devem ser acordadas diante da realidade do que vivemos. Os objetivos devem ser pautados no bem social maior da população e tudo deve ser bem discutido com as partes envolvidas. Pois nossas ações sempre tem impacto na vida de outras pessoas, isso é sério.
          Nesse momento em que há comando de paralisação nacional para professores é importante que a minha categoria discuta bem o momento e as condições dessa greve. No caso da rede municipal sair de uma greve definida no âmbito da cidade e aderir imediatamente a uma definição nacional não parece ter cabimento, até por que precisamos correr atrás do prejuízo causado aos alunos. Greve implica em responsabilidade e responsabilizações.
          Os pontos de mobilização da greve nacional já foram discutidos, em sua maioria, no movimento anterior. O que se precisa fazer é, justamente, acompanhar o que já foi acertado entre as partes. Nem sempre a posição que assumimos aparenta o que realmente é, lembro bem de um pensamento de Darcy Ribeiro:
“Fracassei em tudo o que tentei na vida. Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui. Tentei salvar os índios, não consegui. Tentei fazer uma universidade séria e fracassei. Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei. Mas os fracassos são minhas vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu.” ( DARCY RIBEIRO )
          Vitórias e fracassos são bem relativos, principalmente, diante de uma realidade tão contraditória em que vivemos. Como educadores devemos exercitar a  reflexão e agir refletidamente.
         
          Um abraço a todos, Silvana Machado
         

Nenhum comentário:

Postar um comentário