sábado, 10 de março de 2012

AVALIAÇÃO E FATORES ASSOCIADOS AO DESEMPENHO ESCOLAR




                 Desde a década de 90, vem se consolidando, no Brasil, uma cultura avaliativa que retoma a sua importância no redirecionamento de ações para o alcance da qualidade educacional oferecida pela educação pública, a qual se constitui atualmente, um desafio para todos os educadores.

          As avaliações em larga escala como o SAEB – Sistema Brasileiro de Avaliação da Educação Básica, a cada ciclo de realização, aprofunda conhecimentos sobre a realidade educacional do país, regiões e estados da federação. Algo incontestável em suas pesquisas sobre fatores associados ao desempenho é que, aproximadamente, 80% destes que interferem e, de certa forma, determinam o desempenho  estudantil,  estão fora do contexto educacional fugindo ao controle da escola e sistemas de ensino. Esses  fatores estão relacionados às condições sócioeconômicas e  familiares.          
            Pode-se observar os dados do SAEB que indicam a relação entre fatores socioeconômicos e desempenho dos alunos:  quanto maior o nível socioeconômico, melhor o resultado dos alunos.              Porém observa-se que apesar de algumas escolas apresentarem baixo nível econômico, conseguem obter um  desempenho satisfatório nas avaliações nacionais. Neste caso o contexto intra-escolar faz a diferença. O clima educacional da escola, a equipe docente e gestora, os funcionários e seu envolvimento com o ensino, os equipamentos e estrutura física, dentre outros fatores, apesar de um contexto adverso, contribuem para o bom desempenho discente.
                    CONSIDERANDO OS DADOS COLETADOS NAS AVALIAÇÕES NACIONAIS é possível acompanhar o conhecimento agregado, a partir do trabalho pedagógico na escola.  Um acompanhamento pedagógico, em sintonia com a avaliação desenvolvida, possibilita a elevação de níveis de qualidade expressos no aumento da proficiência dos alunos.
FATORES QUE INTERFEREM NO DESEMPENHO DOS ALUNOS
           Em geral, no país, os resultados das avaliações de desempenho  são utilizados para direcionamento de formação continuada de professores e outras ações relacionadas, por redes estaduais e municipais.
          As avaliações de desempenho além de diagnosticar o nível de proficiência proporcionaram  estudos sobre os fatores que interferem no processo ensino-aprendizagem dos alunos, por meio de variáveis associadas à turma, professores, diretores e escola.  Esses dados são obtidos por meio de questionários respondidos pelos atores escolares, no momento de aplicação dos testes, portanto, devem ser considerados em todo e qualquer planejamento de ações pedagógicas, visando a melhoria do ensino.
          Convém ressaltar, que estes fatores resultaram de uma análise consubstanciada no caráter formativo da avaliação, em que a superação das dificuldades indicam um percurso ensino e aprendizagem eficaz em que o aluno é o maior beneficiado.
          Assim, com as informações obtidas, ressaltam-se as seguintes proposições que deverão ser levadas em conta pelo acompanhamento técnico, pois indicam estratégias de atuação junto a alunos, docentes e gestores escolares:
 Indicadores referentes ao aluno    
·       Formação de hábitos de estudos, otimizando o uso do tempo para esse fim, como meio de adquirir responsabilidade sobre  a sua própria aprendizagem – utilizar pesquisas, trabalhos em grupo e individuais, planos de estudo, acompanhamento pelo próprio aluno de seus avanços e dificuldades na aprendizagem de conceitos e habilidades.
·       Incentivo à criação de grêmios estudantis, com vistas ao desenvolvimento de lideranças no sentido de incentivar a co-participação nas  atividades escolares.
 Professor
·       Fortalecimento da qualidade da ação docente, por meio da formação continuada dos professores, que tem como objetivo a busca de caminhos, procedimentos e recursos para estimular o profissional, ao longo de seu trabalho, e continuamente, a “aprender a aprender”.
·       Utilização de projetos pedagógicos como estratégias de intervenção na aquisição de saberes e desenvolvimento de capacidades, tendo o professor como principal agente dinamizador do conhecimento globalizado. O que pressupõe um novo encaminhamento para o planejamento de ensino e utilização de um currículo integrado pelo conjunto das disciplinas escolares;
·       Garantia de professor, na sala de aula, por todo o ano letivo, evitando-se assim, as substituições ou sua ausência;
·       Uma nova postura em relação a Avaliação da Aprendizagem, visto que, as expectativas em relação ao sucesso dos alunos interfere no seu desempenho.
·       Possibilidades de usar estratégias de ensino adequadas ao exercício do raciocínio lógico do aluno, promovendo análise e resolução de situações-problema na sala em qualquer que seja a disciplina curricular;
·       Estudo de uma teoria sobre a aprendizagem para que o professor entenda o processo de aquisição de conhecimento, formação de conceitos e desenvolvimento de competências. Os estudos indicam que quanto maior a quantidade de conteúdo trabalhado maior a facilidade do aluno responder questões práticas do cotidiano e mesmo do pensamento formal.
·       Distribuição de professores para aulas conforme sua formação específica.
·       Garantia da correção dos exercícios e provas na sala de aula, para oportunizar aos alunos a possibilidade de rever os conhecimentos não aprendidos, transformando o erro em fonte de investigação para a retomada do processo pedagógico.
 Diretor
·       Incentivo aos gestores para concluírem formação específica na área de atuação na escola. Programar momento de formação continuada para gestores considerando a abrangência requerida em seu trabalho.
·       Valorização da importância de se manter um bom ambiente escolar, visando a melhoria da aprendizagem, evitando problemas disciplinares, roubos, violência, etc; Para isso importante são as parcerias com instituições que visem o mesmo objetivo, incentivando o esporte atividades culturais, palestras sobre temáticas diversificadas e o envolvimento da família como parceira na educação da população.
·       Valorização do processo democrático na escola, atuando como fator determinante na qualidade da educação oferecida, daí o fortalecimento da instituição que confere reconhecimento social aos diretores, professores e equipe técnica. Alguns instrumentos da gestão democrática precisam ser vitalizados: o colegiado, caixa escolar, conselho de classe, dentre outros, com objetivos, metas e propósitos definidos no Projeto Político Pedagógico da escola. O acompanhamento técnico poderia instruir e acompanhar o processo de construção coletiva do PPP.
 Escola
·       Garantia de limpeza e conservação física da escola, bem como de seus equipamentos mobilizando toda a comunidade escolar para esse fim. Mudar a “cultura” de produção do lixo, num trabalho de educação pela manutenção do próprio ambiente escolar.
·       Quebra de paradigmas que proporcionam a exclusão social, seja por gênero, cor ou condição financeira. Promoção de um convívio social pela inclusão, respeito às diferenças em todo processo de relações humanas e de construção do conhecimento.
·       Eqüidade no acesso e permanência dos alunos, num processo de oferecer oportunidades educativas de forma parametralizada por um nível de qualidade satisfatório. A escola, em sua coletividade,  deve ter clareza de sua realidade, clientela que atende, indicadores de produtividade, metas e propósitos para que planeje ações educativas direcionadas às suas maiores dificuldades aproveitando suas potencialidades.
 É preciso assegurar que nas escolas as aprendizagens significativas se consolidem por meio da aplicabilidade dos conceitos nos diversos contextos, favorecendo sempre o novo aprender. A avaliação assim, pode contribuir para o desenvolvimento das capacidades do aluno, como uma ferramenta pedagógica, que proporciona a reorientação das ações educativas, rompendo com o paradigma da mesma, enquanto instrumento punitivo que direciona para a reprovação e evasão escolar.

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