Desde a década de
90, vem se consolidando, no Brasil, uma cultura avaliativa que retoma a sua
importância no redirecionamento de ações para o alcance da qualidade
educacional oferecida pela educação pública, a qual se constitui atualmente, um
desafio para todos os educadores.
As avaliações em larga escala como o
SAEB – Sistema Brasileiro de Avaliação da Educação Básica, a cada ciclo de
realização, aprofunda conhecimentos sobre a realidade educacional do país,
regiões e estados da federação. Algo incontestável em suas pesquisas sobre
fatores associados ao desempenho é que, aproximadamente, 80% destes que
interferem e, de certa forma, determinam o desempenho estudantil,
estão fora do contexto educacional fugindo ao controle da escola e
sistemas de ensino. Esses fatores estão
relacionados às condições sócioeconômicas e
familiares.
Pode-se observar os dados do SAEB que indicam a relação entre fatores socioeconômicos e desempenho dos alunos: quanto maior o nível socioeconômico, melhor o resultado dos alunos.
Porém observa-se que apesar de algumas escolas apresentarem baixo nível
econômico, conseguem obter um desempenho
satisfatório nas avaliações nacionais. Neste caso o contexto intra-escolar faz a diferença. O clima
educacional da escola, a equipe docente e gestora, os funcionários e seu
envolvimento com o ensino, os equipamentos e estrutura física, dentre outros
fatores, apesar de um contexto adverso, contribuem para o bom desempenho
discente.
Pode-se observar os dados do SAEB que indicam a relação entre fatores socioeconômicos e desempenho dos alunos: quanto maior o nível socioeconômico, melhor o resultado dos alunos.
CONSIDERANDO OS DADOS COLETADOS NAS AVALIAÇÕES NACIONAIS é possível acompanhar o conhecimento agregado, a partir do trabalho
pedagógico na escola. Um acompanhamento pedagógico, em sintonia com a
avaliação desenvolvida, possibilita a elevação de níveis de qualidade
expressos no aumento da proficiência dos alunos.
FATORES QUE INTERFEREM NO DESEMPENHO
DOS ALUNOS
As avaliações de desempenho além de
diagnosticar o nível de proficiência proporcionaram estudos sobre os fatores que interferem no
processo ensino-aprendizagem dos alunos, por meio de variáveis associadas à
turma, professores, diretores e escola.
Esses dados são obtidos por meio de questionários respondidos pelos
atores escolares, no momento de aplicação dos testes, portanto, devem ser considerados
em todo e qualquer planejamento de ações pedagógicas, visando a melhoria do
ensino.
Convém
ressaltar, que estes fatores resultaram de uma análise consubstanciada no
caráter formativo da avaliação, em que a superação das dificuldades indicam um
percurso ensino e aprendizagem eficaz em que o aluno é o maior beneficiado.
Assim, com as
informações obtidas, ressaltam-se as seguintes proposições que deverão ser
levadas em conta pelo acompanhamento técnico, pois indicam estratégias de
atuação junto a alunos, docentes e gestores escolares:
·
Formação de hábitos de estudos,
otimizando o uso do tempo para esse fim, como meio de adquirir responsabilidade
sobre a sua própria aprendizagem –
utilizar pesquisas, trabalhos em grupo e individuais, planos de estudo,
acompanhamento pelo próprio aluno de seus avanços e dificuldades na
aprendizagem de conceitos e habilidades.
·
Incentivo à criação de grêmios
estudantis, com vistas ao desenvolvimento de lideranças no sentido de
incentivar a co-participação nas
atividades escolares.
·
Fortalecimento da qualidade da ação
docente, por meio da formação continuada dos professores, que tem como objetivo
a busca de caminhos, procedimentos e recursos para estimular o profissional, ao
longo de seu trabalho, e continuamente, a “aprender a aprender”.
·
Utilização de projetos pedagógicos como
estratégias de intervenção na aquisição de saberes e desenvolvimento de
capacidades, tendo o professor como principal agente dinamizador do
conhecimento globalizado. O que pressupõe um novo encaminhamento para o
planejamento de ensino e utilização de um currículo integrado pelo conjunto das
disciplinas escolares;
·
Garantia de professor, na sala de aula,
por todo o ano letivo, evitando-se assim, as substituições ou sua ausência;
·
Uma nova postura em relação a Avaliação
da Aprendizagem, visto que, as expectativas em relação ao sucesso dos alunos
interfere no seu desempenho.
·
Possibilidades de usar estratégias de
ensino adequadas ao exercício do raciocínio lógico do aluno, promovendo análise
e resolução de situações-problema na sala em qualquer que seja a disciplina
curricular;
·
Estudo de uma teoria sobre a
aprendizagem para que o professor entenda o processo de aquisição de
conhecimento, formação de conceitos e desenvolvimento de competências. Os estudos
indicam que quanto maior a quantidade de conteúdo trabalhado maior a facilidade
do aluno responder questões práticas do cotidiano e mesmo do pensamento formal.
·
Distribuição de professores para aulas
conforme sua formação específica.
·
Garantia da correção dos exercícios e
provas na sala de aula, para oportunizar aos alunos a possibilidade de rever os
conhecimentos não aprendidos, transformando o erro em fonte de investigação
para a retomada do processo pedagógico.
·
Incentivo aos gestores para concluírem
formação específica na área de atuação na escola. Programar momento de formação
continuada para gestores considerando a abrangência requerida em seu trabalho.
·
Valorização da importância de se manter
um bom ambiente escolar, visando a melhoria da aprendizagem, evitando problemas
disciplinares, roubos, violência, etc; Para isso importante são as parcerias
com instituições que visem o mesmo objetivo, incentivando o esporte atividades
culturais, palestras sobre temáticas diversificadas e o envolvimento da família
como parceira na educação da população.
·
Valorização do processo democrático na
escola, atuando como fator determinante na qualidade da educação oferecida, daí
o fortalecimento da instituição que confere reconhecimento social aos
diretores, professores e equipe técnica. Alguns instrumentos da gestão
democrática precisam ser vitalizados: o colegiado, caixa escolar, conselho de
classe, dentre outros, com objetivos, metas e propósitos definidos no Projeto
Político Pedagógico da escola. O acompanhamento técnico poderia instruir e
acompanhar o processo de construção coletiva do PPP.
·
Garantia de limpeza e conservação
física da escola, bem como de seus equipamentos mobilizando toda a comunidade
escolar para esse fim. Mudar a “cultura” de produção do lixo, num trabalho de
educação pela manutenção do próprio ambiente escolar.
·
Quebra de paradigmas que proporcionam a
exclusão social, seja por gênero, cor ou condição financeira. Promoção de um
convívio social pela inclusão, respeito às diferenças em todo processo de
relações humanas e de construção do conhecimento.
·
Eqüidade no acesso e permanência dos
alunos, num processo de oferecer oportunidades educativas de forma
parametralizada por um nível de qualidade satisfatório. A escola, em sua
coletividade, deve ter clareza de sua
realidade, clientela que atende, indicadores de produtividade, metas e
propósitos para que planeje ações educativas direcionadas às suas maiores
dificuldades aproveitando suas potencialidades.
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