ETAPAS DA
ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA ESCOLA
Podemos definir três etapas na organização de qualquer ação pedagógica
na escola: planejamento, ação e reflexão. Discorreremos agora sobre essas
etapas, de forma didática, entendendo que não são subsequentes, mas que ocorrem,
por vezes, de forma simultânea e integrada.
6.1 Tudo começa com
Planejamento
Por compreender a importância do planejamento, ressalta-se
a necessária realização deste no ambiente escolar, estabelecendo mediações
entre o conhecimento científico e o conhecimento oriundo da prática social
entre as áreas de conhecimentos, disciplinas e temas integradores.
Nesse entendimento, o trabalho docente é definido pelo
método didático na perspectiva dialética, que é fundamental na organização das
práticas pedagógicas da escola, pois, além de definir a forma de organização e
de abordagem dos conteúdos escolares, evidencia os direitos de aprendizagens.
Considerando uma boa organização pedagógica, o
planejamento docente é indispensável e obrigatório, envolvendo, minimamente,
dois momentos de construção de planos: o Plano
Anual de Ensino, construído no início do ano letivo, e o Plano de Atividade Docente (plano de
aula), que pode ser quinzenal ou mensal, de acordo com a definição da escola.
Plano
Anual de Ensino - Os planos de ensino devem ser organizados por áreas de conhecimento e realizados no âmbito
escolar, devendo conter os elementos essenciais à organização do processo de
aprendizagem e de ensino em cada período do ano letivo, bem como as
aprendizagens esperadas, os conteúdos a serem trabalhados, as metodologias de
ensino, as formas e os instrumentos de avaliação.
Plano de Atividade Docente (Aula) - Os planos de aula devem orientar o professor na
prática pedagógica diária, ressaltando, no método de ensino, a aprendizagem
esperada, a problematização inerente à prática social dos alunos, a
instrumentalização que compreende o conteúdo, procedimentos metodológicos e
recursos necessários no desenvolvimento da aula e, ainda, a avaliação da
aprendizagem no que tange à forma e instrumentos avaliativos.
É necessário que o Plano Anual
de Ensino e, consequentemente, o Plano de Aula sejam elaborados por área de
conhecimento e realizados no ambiente escolar. Isso demanda uma
reorganização escolar com definições acordadas em reuniões de planejamento.
v
PLANEJAMENTO NA
ESCOLA – O QUE FAZER PROFESSOR?
• Elaborar o
planejamento anual por série;
• Elaborar o
planejamento bimestral e/ou mensal e seus desdobramentos para o cotidiano de
sala de aula;
• Identificar as
interfaces do trabalho com as demais séries (o que pode ser trabalhado de forma
integrada);
• Elaborar rotinas de
trabalho - plano de aula;
• Avaliar
permanentemente o que foi planejado, o que foi desenvolvido e as aprendizagens
alcançadas pelos estudantes;
• Identificar os
estudantes que apresentam dificuldades de aprendizagem e coletivamente com a
equipe escolar, planejar o apoio pedagógico necessário;
• Ajustar o ensino às
possibilidades de aprendizagem dos estudantes, considerando o trabalho
integrado das séries na seleção de conteúdos e definição do tratamento
metodológico que poderá ser desenvolvido;
• Participar dos
encontros de formação continuada, contribuindo para a reflexão sobre os
problemas e desafios apresentados pelo grupo, compartilhando suas experiências
e dúvidas contribuindo, assim, para o fortalecimento do trabalho coletivo na
escola.
v
AÇÃO – REFLEXÃO –
AÇÃO
A ação reflexiva no processo de ensino e aprendizagem é claramente
notada quando se identificam os desafios que surgem na prática em relação com o
que foi planejado. Isso é absolutamente natural, o que é planejado nem sempre
se concretiza, surgem novidades e imprevistos, que mudam os caminhos e nos
provocam novos encaminhamentos. Logo, a reflexão deve estar presente em todo
processo pedagógico.
As respostas a esses desafios fazem parte do dia a dia, culminando num
vasto repertório curricular e de práticas avaliativas que sintetizam
explicações sobre o que realmente aconteceu no processo e no resultado da ação
que seria a aprendizagem discente.
Como educadores, nosso “lugar”
na sociedade facilita o trabalho reflexivo, e, ainda, nossa posição nos
constrange à reflexão, sob pena de perpetuarmos o que já existe
indefinitivamente. O que nos difere dos demais é justamente a possibilidade de
pensar novas lógicas, estabelecer coerências sistemáticas, relacionar o que
vivemos com a própria história do pensamento e transformar tudo isso em
“ação-reflexão-ação”. (BASTOS, p.89, 2015).
Identificar os desafios pressupõe a definição de estratégias
inusitadas, superação de limites, conquistas pessoais, relação entre
conhecimentos, autonomia investigativa, pesquisa científica investigativa e uma
infinidade de aprendizagens que atendem bem às expectativas da atualidade.
A prática reflexiva que envolve o currículo escolar e,
consequentemente, a avaliação da aprendizagem não pode perder de vista a ação
educativa mais global que se reflete no cotidiano escolar e retorna ao contexto, como uma versão mais elaborada cientificamente.
Avaliar é sempre demarcar referências num processo mais amplo de formação
humana. Nesse sentido, avaliar assume um caráter informativo e formativo, que
traduz seu aspecto qualitativo.
6.2 Reflexão e avaliação no Ensino Médio
O currículo e avaliação precisam ser concebidos numa
dimensão indissociável, pois as
competências e habilidades a serem ensinadas são as que devem ser avaliadas.
Numa primeira abordagem, a avaliação seria mediadora do processo de ensino e
aprendizagem e teria como papel fundamental saber em que medida os direitos de
aprendizagem estão sendo alcançados.
No entanto, avaliar aprendizagens e o
desenvolvimento de competências e habilidades como direitos dos estudantes no
ensino médio exige a desconstrução de práticas históricas de avaliação, que
ainda são centradas na
prova como principal e único instrumento, ou seja, avaliações pontuais.
Práticas equivocadas focadas em medir, com ênfase na recuperação da nota e não
na aprendizagem, ações onde ensinar e avaliar são concebidos de forma
dicotômica, cujas funções são classificar, comparar e selecionar estudantes.
Nossas considerações têm, entre outras referências, o conceito de
avaliação de Lukas Mujika e Santiago Etxebarría (2009, p. 91), para os quais
avaliação é o processo de identificação, coleta e análise de informações
relevantes – que podem ser quantitativas ou qualitativas - de modo sistemático,
rigoroso, planejado, dirigido, objetivo, fidedigno e válido para emitir juízos
de valor com base em critérios e referências, preestabelecidos para determinar
o valor e o mérito do objeto educacional em questão, a fim de tomar decisões
que ajudem a aperfeiçoar o objeto mencionado. Ou seja, a avaliação tem como referência
fundamental a tomada de decisão com foco fundamental na aprendizagem.
Com efeito, a prática avaliativa exige um olhar reflexivo e
investigativo do professor como postura
permanente ao longo desse processo sobre as aprendizagens, em diferentes momentos,
com referência sempre na necessidade de reajustamento metodológico tendo em
vista a aprendizagem do estudante.
No Ensino Médio, os processos de ensino e avaliação devem instigar no
estudante a reflexão, o pensamento, o raciocínio permanentemente em situações
desafiadoras que não apenas proporcionarão elementos de análise ao professor,
mas também ensinarão o aluno a refletir sobre seu próprio desempenho, pela vivência constante, em que suas capacidades
sejam testadas e desenvolvidas. Assim, a apresentação de um seminário, a
resolução de um teste de múltipla escolha, por exemplo, podem se configurar
tanto num processo de ensino quanto de avaliação, pois o olhar investigativo do
professor analisará capacidades e conhecimentos manifestados nestas situações.
Nesse aspecto, entende-se que o uso de apenas um instrumento para a
avaliação ou a predominância de um deles é demasiado insuficiente para avaliar
a complexidade das capacidades e aprendizagens requeridas nos diversos
componentes curriculares. Portanto, é certo afirmar que, quanto maior a
diversificação dos instrumentos para a avaliação, melhores condições o professor terá para
verificar diferentes aprendizagens e aptidões dos estudantes.
A utilização das estratégias e instrumentos deve estar sempre condicionada
e adequada ao contexto, aos objetivos e aos critérios de avaliação do
componente curricular e às competências que o professor deseja avaliar. Alguns instrumentos avaliam melhor
determinadas capacidades que outros. O professor
pode se instrumentalizar de pré-testes, provas escritas e orais, trabalhos,
pesquisas em duplas ou grupos, relatórios ou trabalhos escritos individuais ou
em grupos, seminários, questionários para grupos, estudos de caso, portfólio
individual ou coletivo, webquests e autoavaliação, tendo como postura máxima a
observação investigativa.
Cabe ao professor do componente curricular definir os instrumentos que
serão utilizados para melhor acompanhar o processo de aprendizagem de seus
alunos. Não existem instrumentos específicos de avaliação capazes de detectar a
totalidade do desenvolvimento e aprendizagem dos alunos. É diante da limitação
de cada instrumento de avaliação que se faz necessário pensar em instrumentos
diversos e mais adequados para que, juntos, cumpram com a complexidade do
processo de aprender.
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