ORGANIZAÇÃO DA AÇÃO PEDAGÓGICA - O MÉTODO DIDÁTICO HISTÓRICO CRÍTICO
Tendo como referência a Base Nacional Comum Curricular - BNCC, que
para o Ensino Médio define cada área de conhecimento, objetivos gerais de formação,
todos relacionados aos eixos de formação da etapa, todo professor (a) deve
fazer a opção por um tipo de organização pedagógica que contemple os saberes e
necessidades dos estudantes. Nesse sentido, será indispensável atrelarmos às
expectativas pedagógicas o entendimento de como as aprendizagens acontecem, os
recursos e estratégias necessárias para o êxito do processo de ensino e
aprendizagem.
Ainda nessa perspectiva, torna-se importante definir qual método
didático orientará os trabalhos de produção do conhecimento. De acordo com as
Diretrizes Curriculares Estaduais, torna-se clara a definição de um método de
inspiração dialética como fio condutor das práticas pedagógicas das escolas
estruturado nas etapas de problematização, instrumentalização, aprendizagem (catarse)
e síntese, tendo a prática social (conhecimento prévio, o contexto social,
experiências do cotidiano) como ponto de partida e de chegada do processo de
ensino fundamentado no entendimento histórico crítico da realidade.
Os atributos da aprendizagem dos alunos estão diretamente vinculados
ao tipo de método utilizado no processo de ensino.
Enquanto os conteúdos dizem respeito a “o quê” aprender, o método se
reporta ao “como” aprender, sendo que a mesma lógica se aplica ao ensinar. Em
síntese, o método didático diz respeito à forma de fazer o ensino acontecer
para que a aprendizagem se efetive do modo esperado. (DCs p.23, 2014).
Considerando tal premissa, é possível afirmar que o método didático
perpassa por todas as etapas da ação pedagógica. O método didático está intimamente vinculado
às expectativas educacionais, à compreensão do papel social e específico da
escola e à concepção de aprendizagem. O
método, então, “explicita o movimento do conhecimento como passagem do empírico
ao concreto, pela mediação do abstrato. Ou a passagem da síncrese à síntese,
pela mediação da análise” (SAVIANI, 2005, p.142).
Isso significa dizer que o professor, enquanto mediador do processo de
ensino e aprendizagem, deve levar em consideração os conhecimentos que os
estudantes já trazem para a sala de aula, o que possibilitará realizar uma
problematização como ponto inicial da organização pedagógica. Logo, a sala de
aula passa a ser um ambiente de diálogo investigativo.
O método didático, na perspectiva dialética,
estrutura-se segundo o infográfico:
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O MÉTODO DIDÁTICO
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v Prática social – conexão com a vida dos estudantes
A prática social é o eixo do trabalho pedagógico em torno do qual a aprendizagem e o ensino se movimentam. Nesse
sentido, é possível dizer que a prática social é o ponto de partida e é o ponto
de chegada do processo de ensino, considerando que o trabalho pedagógico tem
como finalidade ampliar a compreensão sobre os elementos, nexos, interrelações,
contradições e fundamentos que constituem a realidade social.
v Problematização - questionamento
e investigação científica
Para que um conhecimento seja aprendido e recriado,
necessariamente, deve haver um movimento de levantamento de conhecimentos
prévios em torno daquilo que interessa ao estudante, que será evidenciado pelo
professor de forma intencional, tendo em vista os conhecimentos das disciplinas
do currículo obrigatório.
O papel do professor será o de motivar, desafiando o
estudante a buscar respostas para além do senso comum. A problematização é um
processo de sensibilização, esta etapa é fundamental para o estreitamento entre
os conhecimentos da prática social e o currículo que se pretende desenvolver.
De acordo com Gasparin (2013, p.35), “a problematização tem como finalidade
selecionar as principais interrogações levantadas na prática social a respeito
de determinado conteúdo”.
A problematização visa despertar a imaginação,
fertilizando-a por meio de perguntas instigadoras a respeito de opiniões ou
crenças sobre o tema em discussão. Desse modo, as atividades que envolvem
vivências, cenários, personagens, notícias, informações, imagens, sons e
dinâmicas em torno de um tema, dentre outros, são procedimentos adequados na
referida etapa.
A problematização permite ir além do sentido comum e
aparente das coisas, assim como por em questão a multiplicidade e variação das
opiniões dos/as alunos/as. Destaca-se, então, o papel do/a professor/a que deve
estimular o aparecimento do maior número de perguntas. Sua intervenção se faz
necessária melhorando o sentido das perguntas, explicitando melhor as que não
foram bem formuladas, agrupando-as quanto aos aspectos comuns ou divergentes.
(DCs, p. 34. 2014)
Nessa perspectiva, a problematização é uma etapa que
exige de docentes e discentes um novo olhar, de preferência investigativo e
crítico, diante do que está posto, estruturado e concebido como verdade
absoluta, ou até mesmo verdade desconhecida ou conhecida superficialmente.
v Instrumentalização – acesso ao
conhecimento curricular
Após a problematização, temos um
momento propício para o acesso aos conhecimentos formais do currículo escolar
com vistas à elucidação das hipóteses e dúvidas levantadas pelos estudantes e
professores. O objetivo é transformar e aprimorar aqueles conhecimentos
espontâneos da prática social, em confronto permanente com os conhecimentos
científicos construídos pelo conjunto da humanidade.
Assim, compete ao educador
buscar os instrumentos didaticamente necessários para que o jovem obtenha
respostas acerca de suas indagações e inquietações.
Para
tanto, o professor deve organizar principalmente os conteúdos científicos das
disciplinas, além dos conteúdos dos temas sociais, a que culminará em um
processo de mediação daquilo que o aluno ainda não sabe fazer ou conceber
sozinho, para um nível mais elevado de autonomia intelectual. ( DCs, p. 34.
2014)
A instrumentalização é um
processo em que o estudante necessitará da orientação e direcionamento didático
do educador, assumindo seu papel como facilitador e mediador, interagindo ainda
com os outros estudantes estabelecendo parcerias no ambiente heterogêneo da
sala de aula. A pesquisa nesse processo
é de fundamental importância para que se encontrem os conhecimentos científicos
necessários para elucidação das situações problemas.
O educador, então, deve planejar
boas situações de aprendizagem, que sejam interessantes e organizadas
didaticamente, além de propor pesquisas, leituras, estudos, consultas e trocas
de experiências e saberes que respondam aos novos desafios da estruturação de
conceitos científicos.
v Catarse – processo de apreender
A partir da
busca pelo conhecimento para explicação racional e coerente da situação
problema, vai acontecendo a aprendizagem na medida em que
o estudante toma consciência e redireciona e desenvolve novos significados, a
partir dos conceitos que formula. Nesse momento é que o professor deve
acompanhar as aprendizagens que se expressam nos argumentos, nos registros dos
estudantes sobre o conteúdo, por meio da elaboração teórica na explicação de
fatos naturais, culturais, econômicos e históricos.
Na catarse, o/a aluno/a está confortável para expressar seus
pensamentos e ideias, decorrentes das etapas anteriores. Nessa etapa, o/a
aluno/a expressa uma nova maneira de ver os conteúdos e a prática social.
Confirmada a ocorrência da síntese mental, será realizada a última etapa. Caso
contrário, faz-se necessário rever as etapas anteriores. (DCs, 2014, p. 34)
v Síntese - demonstração prática
do que foi aprendido pelos estudantes
O ciclo de aprendizagem que se
origina na prática social do estudante passa por problematizações, perpassa
pela proposição de atividades pedagógicas que incentivam a pesquisa e a
apreensão de conceitos científicos oriundos dos conteúdos, culminando na
constituição de significados que são, de alguma forma, registrados e expressos.
No ato de
sintetizar, observam-se os conteúdos e conceitos aprendidos pelos estudantes
como forma de intervenção na própria prática social. Afinal, o que aprendemos
tem uma função social a cumprir, ser usado para transformar a própria
existência humana e seus problemas sociais.
É um momento de triunfo, de chegada, de sentir-se
socialmente atuante, seguro e mais independente em relação à dependência de ter
um mediador, porque consegue externar os conhecimentos internalizados que
respondem aos problemas relativos à prática social, a qual inicialmente é uma e,
no final, pode-se dizer que é e não é a mesma. (SAVIANI, 2008, p. 58).
A prática
social não se apresenta fragmentada; logo, o método proposto já reitera uma
organização curricular articulada e interdisciplinar. Logo, esta rede de ensino
propõe a superação de um trabalho com os conhecimentos desenvolvidos de forma
isolada e orienta a organização e integração dos diversos conteúdos em áreas de
conhecimento.
Na etapa da
síntese, é indispensável a realização de atividades escritas, com registros das
aprendizagens durante o processo. Assim, o estudante estará preparado para a
elaboração de conceitos, desenvolvimento de atitudes e procedimentos, que
possibilitem ao professor avaliar a passagem do pensamento do senso comum para
o científico, condição essencial para que a escola cumpra a sua função social.
ETAPAS DA
ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA ESCOLA
Podemos definir três etapas na organização de qualquer ação pedagógica
na escola: planejamento, ação e reflexão. Discorreremos agora sobre essas
etapas, de forma didática, entendendo que não são subsequentes, mas que ocorrem,
por vezes, de forma simultânea e integrada.
6.1 Tudo começa com
Planejamento
Por compreender a importância do planejamento, ressalta-se
a necessária realização deste no ambiente escolar, estabelecendo mediações
entre o conhecimento científico e o conhecimento oriundo da prática social
entre as áreas de conhecimentos, disciplinas e temas integradores.
Nesse entendimento, o trabalho docente é definido pelo
método didático na perspectiva dialética, que é fundamental na organização das
práticas pedagógicas da escola, pois, além de definir a forma de organização e
de abordagem dos conteúdos escolares, evidencia os direitos de aprendizagens.
Considerando uma boa organização pedagógica, o
planejamento docente é indispensável e obrigatório, envolvendo, minimamente,
dois momentos de construção de planos: o Plano
Anual de Ensino, construído no início do ano letivo, e o Plano de Atividade Docente (plano de
aula), que pode ser quinzenal ou mensal, de acordo com a definição da escola.
Plano
Anual de Ensino - Os planos de ensino devem ser organizados por áreas de conhecimento e realizados no âmbito
escolar, devendo conter os elementos essenciais à organização do processo de
aprendizagem e de ensino em cada período do ano letivo, bem como as
aprendizagens esperadas, os conteúdos a serem trabalhados, as metodologias de
ensino, as formas e os instrumentos de avaliação.
Plano de Atividade Docente (Aula) - Os planos de aula devem orientar o professor na
prática pedagógica diária, ressaltando, no método de ensino, a aprendizagem
esperada, a problematização inerente à prática social dos alunos, a
instrumentalização que compreende o conteúdo, procedimentos metodológicos e
recursos necessários no desenvolvimento da aula e, ainda, a avaliação da
aprendizagem no que tange à forma e instrumentos avaliativos.
É necessário que o Plano Anual
de Ensino e, consequentemente, o Plano de Aula sejam elaborados por área de
conhecimento e realizados no ambiente escolar. Isso demanda uma
reorganização escolar com definições acordadas em reuniões de planejamento.
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