domingo, 17 de setembro de 2017

O MÉTODO DIDÁTICO HISTÓRICO CRÍTICO



ORGANIZAÇÃO DA AÇÃO PEDAGÓGICA - O MÉTODO DIDÁTICO HISTÓRICO CRÍTICO
Tendo como referência a Base Nacional Comum Curricular - BNCC, que para o Ensino Médio define cada área de conhecimento, objetivos gerais de formação, todos relacionados aos eixos de formação da etapa, todo professor (a) deve fazer a opção por um tipo de organização pedagógica que contemple os saberes e necessidades dos estudantes. Nesse sentido, será indispensável atrelarmos às expectativas pedagógicas o entendimento de como as aprendizagens acontecem, os recursos e estratégias necessárias para o êxito do processo de ensino e aprendizagem.
Ainda nessa perspectiva, torna-se importante definir qual método didático orientará os trabalhos de produção do conhecimento. De acordo com as Diretrizes Curriculares Estaduais, torna-se clara a definição de um método de inspiração dialética como fio condutor das práticas pedagógicas das escolas estruturado nas etapas de problematização, instrumentalização, aprendizagem (catarse) e síntese, tendo a prática social (conhecimento prévio, o contexto social, experiências do cotidiano) como ponto de partida e de chegada do processo de ensino fundamentado no entendimento histórico crítico da realidade.
Os atributos da aprendizagem dos alunos estão diretamente vinculados ao tipo de método utilizado no processo de ensino.
Enquanto os conteúdos dizem respeito a “o quê” aprender, o método se reporta ao “como” aprender, sendo que a mesma lógica se aplica ao ensinar. Em síntese, o método didático diz respeito à forma de fazer o ensino acontecer para que a aprendizagem se efetive do modo esperado. (DCs p.23, 2014).

Considerando tal premissa, é possível afirmar que o método didático perpassa por todas as etapas da ação pedagógica.  O método didático está intimamente vinculado às expectativas educacionais, à compreensão do papel social e específico da escola e à concepção de aprendizagem.  O método, então, “explicita o movimento do conhecimento como passagem do empírico ao concreto, pela mediação do abstrato. Ou a passagem da síncrese à síntese, pela mediação da análise” (SAVIANI, 2005, p.142).
Isso significa dizer que o professor, enquanto mediador do processo de ensino e aprendizagem, deve levar em consideração os conhecimentos que os estudantes já trazem para a sala de aula, o que possibilitará realizar uma problematização como ponto inicial da organização pedagógica. Logo, a sala de aula passa a ser um ambiente de diálogo investigativo.
O método didático, na perspectiva dialética, estrutura-se segundo o infográfico:

O MÉTODO DIDÁTICO

v  Prática social – conexão com a vida dos estudantes
A prática social é o eixo do trabalho pedagógico em torno do qual a aprendizagem e o ensino se movimentam. Nesse sentido, é possível dizer que a prática social é o ponto de partida e é o ponto de chegada do processo de ensino, considerando que o trabalho pedagógico tem como finalidade ampliar a compreensão sobre os elementos, nexos, interrelações, contradições e fundamentos que constituem a realidade social.

v  Problematização - questionamento e investigação científica
Para que um conhecimento seja aprendido e recriado, necessariamente, deve haver um movimento de levantamento de conhecimentos prévios em torno daquilo que interessa ao estudante, que será evidenciado pelo professor de forma intencional, tendo em vista os conhecimentos das disciplinas do currículo obrigatório.
O papel do professor será o de motivar, desafiando o estudante a buscar respostas para além do senso comum. A problematização é um processo de sensibilização, esta etapa é fundamental para o estreitamento entre os conhecimentos da prática social e o currículo que se pretende desenvolver. De acordo com Gasparin (2013, p.35), “a problematização tem como finalidade selecionar as principais interrogações levantadas na prática social a respeito de determinado conteúdo”.
A problematização visa despertar a imaginação, fertilizando-a por meio de perguntas instigadoras a respeito de opiniões ou crenças sobre o tema em discussão. Desse modo, as atividades que envolvem vivências, cenários, personagens, notícias, informações, imagens, sons e dinâmicas em torno de um tema, dentre outros, são procedimentos adequados na referida etapa.
A problematização permite ir além do sentido comum e aparente das coisas, assim como por em questão a multiplicidade e variação das opiniões dos/as alunos/as. Destaca-se, então, o papel do/a professor/a que deve estimular o aparecimento do maior número de perguntas. Sua intervenção se faz necessária melhorando o sentido das perguntas, explicitando melhor as que não foram bem formuladas, agrupando-as quanto aos aspectos comuns ou divergentes. (DCs, p. 34. 2014)

Nessa perspectiva, a problematização é uma etapa que exige de docentes e discentes um novo olhar, de preferência investigativo e crítico, diante do que está posto, estruturado e concebido como verdade absoluta, ou até mesmo verdade desconhecida ou conhecida superficialmente.

v  Instrumentalização – acesso ao conhecimento curricular
Após a problematização, temos um momento propício para o acesso aos conhecimentos formais do currículo escolar com vistas à elucidação das hipóteses e dúvidas levantadas pelos estudantes e professores. O objetivo é transformar e aprimorar aqueles conhecimentos espontâneos da prática social, em confronto permanente com os conhecimentos científicos construídos pelo conjunto da humanidade.
Assim, compete ao educador buscar os instrumentos didaticamente necessários para que o jovem obtenha respostas acerca de suas indagações e inquietações.

Para tanto, o professor deve organizar principalmente os conteúdos científicos das disciplinas, além dos conteúdos dos temas sociais, a que culminará em um processo de mediação daquilo que o aluno ainda não sabe fazer ou conceber sozinho, para um nível mais elevado de autonomia intelectual. ( DCs, p. 34. 2014)

A instrumentalização é um processo em que o estudante necessitará da orientação e direcionamento didático do educador, assumindo seu papel como facilitador e mediador, interagindo ainda com os outros estudantes estabelecendo parcerias no ambiente heterogêneo da sala de aula.  A pesquisa nesse processo é de fundamental importância para que se encontrem os conhecimentos científicos necessários para elucidação das situações problemas.
O educador, então, deve planejar boas situações de aprendizagem, que sejam interessantes e organizadas didaticamente, além de propor pesquisas, leituras, estudos, consultas e trocas de experiências e saberes que respondam aos novos desafios da estruturação de conceitos científicos.

v  Catarse – processo de apreender
A partir da busca pelo conhecimento para explicação racional e coerente da situação problema, vai acontecendo a aprendizagem na medida em que o estudante toma consciência e redireciona e desenvolve novos significados, a partir dos conceitos que formula. Nesse momento é que o professor deve acompanhar as aprendizagens que se expressam nos argumentos, nos registros dos estudantes sobre o conteúdo, por meio da elaboração teórica na explicação de fatos naturais, culturais, econômicos e históricos.

Na catarse, o/a aluno/a está confortável para expressar seus pensamentos e ideias, decorrentes das etapas anteriores. Nessa etapa, o/a aluno/a expressa uma nova maneira de ver os conteúdos e a prática social. Confirmada a ocorrência da síntese mental, será realizada a última etapa. Caso contrário, faz-se necessário rever as etapas anteriores. (DCs, 2014, p. 34)

v  Síntese - demonstração prática do que foi aprendido pelos estudantes
O ciclo de aprendizagem que se origina na prática social do estudante passa por problematizações, perpassa pela proposição de atividades pedagógicas que incentivam a pesquisa e a apreensão de conceitos científicos oriundos dos conteúdos, culminando na constituição de significados que são, de alguma forma, registrados e expressos.
No ato de sintetizar, observam-se os conteúdos e conceitos aprendidos pelos estudantes como forma de intervenção na própria prática social. Afinal, o que aprendemos tem uma função social a cumprir, ser usado para transformar a própria existência humana e seus problemas sociais.
É um momento de triunfo, de chegada, de sentir-se socialmente atuante, seguro e mais independente em relação à dependência de ter um mediador, porque consegue externar os conhecimentos internalizados que respondem aos problemas relativos à prática social, a qual inicialmente é uma e, no final, pode-se dizer que é e não é a mesma. (SAVIANI, 2008, p. 58).

A prática social não se apresenta fragmentada; logo, o método proposto já reitera uma organização curricular articulada e interdisciplinar. Logo, esta rede de ensino propõe a superação de um trabalho com os conhecimentos desenvolvidos de forma isolada e orienta a organização e integração dos diversos conteúdos em áreas de conhecimento.
Na etapa da síntese, é indispensável a realização de atividades escritas, com registros das aprendizagens durante o processo. Assim, o estudante estará preparado para a elaboração de conceitos, desenvolvimento de atitudes e procedimentos, que possibilitem ao professor avaliar a passagem do pensamento do senso comum para o científico, condição essencial para que a escola cumpra a sua função social.

ETAPAS DA ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO PEDAGÓGICO NA ESCOLA

Podemos definir três etapas na organização de qualquer ação pedagógica na escola: planejamento, ação e reflexão. Discorreremos agora sobre essas etapas, de forma didática, entendendo que não são subsequentes, mas que ocorrem, por vezes, de forma simultânea e integrada.


6.1 Tudo começa com Planejamento
Por compreender a importância do planejamento, ressalta-se a necessária realização deste no ambiente escolar, estabelecendo mediações entre o conhecimento científico e o conhecimento oriundo da prática social entre as áreas de conhecimentos, disciplinas e temas integradores.
Nesse entendimento, o trabalho docente é definido pelo método didático na perspectiva dialética, que é fundamental na organização das práticas pedagógicas da escola, pois, além de definir a forma de organização e de abordagem dos conteúdos escolares, evidencia os direitos de aprendizagens.
Considerando uma boa organização pedagógica, o planejamento docente é indispensável e obrigatório, envolvendo, minimamente, dois momentos de construção de planos: o Plano Anual de Ensino, construído no início do ano letivo, e o Plano de Atividade Docente (plano de aula), que pode ser quinzenal ou mensal, de acordo com a definição da escola.

Plano Anual de Ensino - Os planos de ensino devem ser organizados por áreas de conhecimento e realizados no âmbito escolar, devendo conter os elementos essenciais à organização do processo de aprendizagem e de ensino em cada período do ano letivo, bem como as aprendizagens esperadas, os conteúdos a serem trabalhados, as metodologias de ensino, as formas e os instrumentos de avaliação.

Plano de Atividade Docente (Aula) - Os planos de aula devem orientar o professor na prática pedagógica diária, ressaltando, no método de ensino, a aprendizagem esperada, a problematização inerente à prática social dos alunos, a instrumentalização que compreende o conteúdo, procedimentos metodológicos e recursos necessários no desenvolvimento da aula e, ainda, a avaliação da aprendizagem no que tange à forma e instrumentos avaliativos.
É necessário que o Plano Anual de Ensino e, consequentemente, o Plano de Aula sejam elaborados por área de conhecimento e realizados no ambiente escolar. Isso demanda uma reorganização escolar com definições acordadas em reuniões de planejamento.

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