EDUCAÇÃO ESCOLAR PÚBLICA
2.1 O papel social da educação
escolar
As concepções e funções da educação
no seu sentido ampliado constituem-se numa prática social que é construída
historicamente. As mudanças no campo educacional acompanham as próprias
transformações da vida em sociedade e do homem em suas diversas relações
sociais.
A
educação, portanto, é um fenômeno próprio dos seres humanos. Assim sendo, “a
compreensão da natureza da educação passa pela compreensão da natureza humana”.
Saviani (1991, p. 19). A educação é uma exigência social construída e é, ela
própria, um processo em construção e este é um princípio educativo precípuo.
Nesta
concepção, a escola é a instituição que tem como papel fundamental a socialização
do saber sistematizado historicamente. Para isso, independente de tantos apelos
e das demandas insurgentes, cabe a escola, em primeiro lugar, proporcionar o acesso ao saber elaborado
formal e cientificamente, bem como o acesso aos instrumentos que possibilitem o
conhecimento dos fundamentos desse saber.
É função social da
escola, por meio de seu currículo e trabalho pedagógico, criar as condições apropriadas para o
desenvolvimento das novas gerações, na promoção do homem crítico e
transformador de sua história, Conforme Saviani (1980, p. 52) promover o homem
significa “torná-lo cada vez mais capaz
de conhecer os elementos de sua situação a fim de poder intervir nela
transformando-a no sentido da ampliação da liberdade, comunicação e colaboração
entre os homens”.
Isso implica em definir para a educação sistematizada objetivos claros
e precisos, quais sejam: educar para a sobrevivência, para a liberdade, para a
comunicação e para a transformação. Nesse sentido educar é uma luta
permanente pela difusão de oportunidades
e pela extensão da escolaridade do ponto de vista qualitativo e equitativo.
Para tanto, as instancias educativas, em todos os níveis, etapas e modalidades
devem assumir a função que lhes cabe de dotar a população dos instrumentos
básicos de participação na sociedade.
Nesta perspectiva, é preciso
a estruturação de um currículo a partir do saber sistematizado, do conhecimento
elaborado, e ainda, da cultura popular e letrada que objetive a formação
integral do homem com vistas a um propósito bem definido: a vivência social na
perspectiva de transformação permanente.
Considerando
a variedade de caminhos curriculares atualmente em vigência no meio pedagógico
faz-se necessário o resgate da noção do currículo enquanto “organização do conjunto das atividades
nucleares distribuídas no espaço e tempo escolares” (SAVIANI, 2005, p.
18). Ou
seja, o currículo nada mais é que, a escola funcionando e desempenhando a
função que lhe é inerente: fazer com que o saber escolar seja apropriado pelos
educandos. Na efetivação prática do currículo é importante que o educando se
aproprie, de modo organizado no espaço escolar e, ao longo de um tempo
determinado, do saber sistematizado.
A concepção de tempo escolar na
sistematização dos conhecimentos ultrapassa o conceito físico cronológico, mas
abrange seu sentido social e simbólico,
e bem mais especificamente, educacional. O tempo se apresenta como
elemento bastante significativo na cultura escolar, o aspecto dinâmico que ele
toma organiza o fazer pedagógico, seja em relação às práticas didáticas
presentes na transmissão cultural da escola, seja pelo aspecto organizativo dos
tempos sociais e humanos na instituição escolar.
Na legislação temos tempos formais
estabelecidos, contudo os tempos de aprendizagens devem ser flexíveis e
considerados no trabalho curricular. Seres históricos levam em consideração o
tempo, aprende com ele e nele elabora conhecimentos e contradições. A qualidade
do trabalho curricular depende diretamente da qualidade do tempo escolar na
efetivação das aprendizagens.
O processo de
aquisição do saber escolar exige que o aprendiz adquira um habitus de estudo. Contudo, construir rotinas
de aprendizagem não se dá da noite para o dia. Para de formar um leitor
competente é preciso considerar que ninguém nasce sabendo ler e escrever. É preciso ter persistência e insistência. É
necessário, “(...) repetir muitas vezes determinados atos até que eles se
fixem” (SAVIANI, 2005, p. 21), até que tenham significado social na
efetivação das aprendizagens.
O currículo escolar deve ser reflexivo e
interativo na perspectiva do enfoque de formação integral, devendo também estar
aberto às inovações tecnológicas e sociais da nossa época. Em uma sociedade
cada vez mais plural, no que se refere às manifestações culturais, é preciso
inserir no conjunto de conhecimentos formais o aspecto multifacetário específico
da realidade, propiciando uma educação que envolva vários aspectos: cultural,
político, econômico, social, afetivo, cognitivo e estético.
Considerando as variadas indicações,
o desenvolvimento curricular deve ser encaminhado com base nos pressupostos:
ü organização do currículo formal por
área de conhecimento e os saberes inerentes de forma sequenciada;
ü formação de hábitos de estudo na
apropriação de saberes na rotina escolar;
ü desconstrução dos binarismos que
constituem o conhecimento científico e do senso comum;
ü propiciação da construção de
identidades;
ü preservação do multiculturalismo na
organização curricular;
ü reorganização curricular que
flexibilize a rigidez curricular tradicional;
ü estabelecimento de uma política
cultural que é tanto um território de produção ativa de cultura como um campo
de contestação cultural;
ü observação de tempos escolares
considerando necessidades de aprendizagem dos educandos;
ü concentração na produção do saber e
no desenvolvimento da consciência crítica observando as necessidades e
exigências da vida social;
ü valorização da cultura popular, da
experiência e dos conhecimentos prévios dos alunos, tomando o saber inerente senso
comum como base para a construção social do conhecimento.
ü por fim, a concepção de currículo
básico comum a todos os alunos, priorizando
diferentes formas, ritmos de aprendizagem, experiências particulares e as histórias
coletivas;
Considerando a
premissa que acesso ao conhecimento é condição vital para a conscientização
sobre processos históricos da sociedade o que resulta na reflexão e gera a
transformação social, é importante esclarecer que isso é bem mais viável aos
que estão na escola. A democratização do saber escolar mais ampla ainda é um
objetivo a ser alcançado. Oportunidades educacionais devem ser equânimes e
alcançar a todos.
O acesso, a
permanência e o sucesso escolar são premissas para todos os educadores desse
Estado. Nesse sentido, a comunidade escolar deve desenvolver estratégias de
inclusão e de participação de homens e mulheres das classes populares em todos
os seus processos de formação humana. O
currículo nesta perspectiva é aberto e acolhedor na direção da emancipação no desenvolvimento
de capacidades que envolvam o pensar e o agir autonomamente.
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