segunda-feira, 23 de abril de 2012

Tempo que foge!


Tempo que foge!
Ricardo Gondim
Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo. Não vou mais a workshops onde se ensina como converter milhões usando uma fórmula de poucos pontos. Não quero que me convidem para eventos de um fim-de-semana com a proposta de abalar o milênio.
Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos parlamentares e regimentos internos. Não gosto de assembléias ordinárias em que as organizações procuram se proteger e perpetuar através de infindáveis detalhes organizacionais.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos. Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de “confrontação”, onde “tiramos fatos à limpo”. Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário do coral.
Já não tenho tempo para debater vírgulas, detalhes gramaticais sutis, ou sobre as diferentes traduções da Bíblia. Não quero ficar explicando porque gosto da Nova Versão Internacional das Escrituras, só porque há um grupo que a considera herética. Minha resposta será curta e delicada: – Gosto, e ponto final! Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: “As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos”. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos.
Já não tenho tempo para ficar dando explicação aos medianos se estou ou não perdendo a fé, porque admiro a poesia do Chico Buarque e do Vinicius de Moraes; a voz da Maria Bethânia; os livros de Machado de Assis, Thomas Mann, Ernest Hemingway e José Lins do Rego.
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita para a “última hora”; não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja andar humildemente com Deus. Caminhar perto dessas pessoas nunca será perda de tempo.
Soli Deo Gloria


quinta-feira, 19 de abril de 2012

AMAR OU NÃO AMAR?

 "Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?" (Fernando Pessoa)



Meditando nesse pensamento de Fernando Pessoa cheguei a conclusão que o amor quando existe por si só se basta. Não há muito o que explicar... não há muito para entender... não há muito o que fazer. 
Algumas pessoas nos dão razões para ama-las, outras nem precisam fazer muito esforço... simplesmente amamos. Olhamos nos olhos e vemos a alma... então nos envolvemos e amamos...Talvez isso seja o que o poeta tentou escrever, ou como me chegou a mensagem... não sei... Mas algo é fato: sofremos por quem amamos.
Sofremos de várias formas e maneiras. Sofrer junto é sempre bom. Mas quando as pessoas que amamos nos negam esse direito: o de sofrer junto. Aí a dor é mais dor e o sofrimento é mais sofrível, pois ficamos pensando "como seria bom estar junto, chorar junto, abraçar"...
Não estou falando aqui de um tipo de amor romântico ou erótico... estou falando do amor entre irmãos amigos, que pode ser desenvolvido em qualquer relacionamento. 
Quando nos abandonam... essas pessoas que amamos, a dor se torna  persistente... uma dorzinha chata que todo dia incomoda. Aí cheguei a conclusão que amar dói. Dói a alma... e dependendo do agravo... sangra.  
Mas no fim entendemos que foi melhor ter amado... do que viver sem o amor. Pois o amor sempre será melhor que o vazio no peito. Por isso a todos que amo  sou grata por existirem e por serem alvo desse sentimento que enobrece e me torna humana.

UM FORTE ABRAÇO, SILVANA

quarta-feira, 11 de abril de 2012

MATRIZ CURRICULAR 4ª SERIE LP - QUESTÕES DE PROVA



As avaliações nacionais tem como base um referencial curricular definido pelo MEC em conjunto com redes municipais e estaduais de ensino. Essas matrizes não representam tudo que deve ser trabalhado com alunos na escola mas o que pode ser verificado em uma prova objetiva e considerado relevante para que os alunos saibam nas fazes conclusivas da educação básica.
AVALIAÇÃO DE LÍNGUA PORTUGUESA - SAEB-PROVA BRASIL
FOCO: TEXTO – LEITURA

OBJETIVO: Apreender o texto como construção de conhecimento em diferentes níveis de compreensão, análise e interpretação.



¨     Matriz - 4ª SÉRIE DO ENSINO FUNDAMENTAL
 I. Procedimentos de Leitura
D1
Localizar informações explícitas em um texto.
D3
Inferir o sentido de uma palavra ou expressão.
D4
Inferir uma informação implícita em um texto.
D6
Identificar o tema de um texto.
D11
Distinguir um fato da opinião relativa a esse fato.
 II. Implicações do Suporte, do Gênero e/ou do Enunciador na Compreensão do texto
D5
Interpretar texto com auxílio de material gráfico diverso (propagandas, Quadrinhos, foto etc).
D9
Identificar a finalidade de textos de diferentes gêneros.
 III. Relação entre Textos
D15
Reconhecer diferentes formas de tratar uma informação na comparação de textos que tratam do mesmo tema, em função das condições em que ele foi produzido e daquelas em que será recebido.
 IV. Coerência e Coesão no Processamento do texto
D2
Estabelecer relações entre partes de um texto, identificando repetições ou substituições que contribuem para a continuidade de um texto.
D7
Identificar o conflito gerador do enredo e os elementos que constroem a narrativa.
D8
Estabelecer relação causa/conseqüência entre partes e elementos do texto.
D12
Estabelecer relações lógico-discursivas presentes no texto, marcadas por conjunções, advérbios, etc.
 V. Relações entre Recursos Expressivos e Efeitos de Sentido
D13
Identificar efeitos de ironia ou humor em textos variados.
D14
Identificar efeito de sentido decorrente do uso da pontuação e de outras notações.
 VI. Variação Lingüística
D10
Identificar as marcas lingüísticas que evidenciam o locutor e o interlocutor de um texto.





EXEMPLOS DE questões de prova  DE LÍNGUA PORTUGUESA
DA 4.ª SÉRIE DO ENSINO FUNDAMENTAL

Convite

Poesia
é brincar com as palavras
como se brinca
com bola, papagaio, pião.

Só que
bola, papagaio, pião
de tanto brincar
se desgastam

As palavras não:
quanto mais se brinca
com elas
mais novas ficam.

Como água do rio
que é água sempre nova.

Como cada dia
que é sempre um novo dia.

Vamos brincar de poesia?
         (PAES, José Paulo. Convite. In: AGUIAR, Vera (coordenação). Poesia fora da
          Estante. Porto Alegre: Editora Projeto. p. 48.)

1.     No poema Convite, o autor convida para

(A)   brincar de bola.
(B)   fazer uma festa.
(C)  renovar a água.
(D)  fazer poesia.

Gabarito: D
Descritor  6 – Identificar o tema de um texto.

2.     A palavra brinca em “...quanto mais se brinca com elas”, tem o sentido de

(A)   criar poesia.
(B)   jogar pião.
(C)  fazer pipa.
(D)  nadar no mar.

Gabarito : A
Descritor 3 - Inferir o sentido de uma palavra em um texto.



3.     Segundo o poema, as palavras não se gastam porque  elas

(A)   são feitas de material mais resistente.
(B)   se renovam com o jogo da poesia.
(C)  são como bola, papagaio e pião.
(D)  são pouco usadas e ficam sempre novas.

Gabarito: B
Descritor 8 – Estabelecer relação causa / conseqüência entre partes de um texto.

4.     Qual a palavra que substitui a expressão Só que em “Só que/ bola, papagaio, pião / de tanto brincar”?

(A)   Embora.
(B)   Quando.
(C)   Onde.
(D)   Porque.

Gabarito: A
Descritor 2 – Estabelecer relações entre partes de um texto, identificando repetições ou substituições que contribuem para a continuidade.

5.     Com que palavras o autor convida o leitor a fazer poesia?

(A)   “Poesia é brincar com as palavras...”
(B)   “Como se brinca, com bola, papagaio e pião.”
(C)   “Vamos brincar de Poesia”.
(D)   “...bola, papagaio e pião de tanto brincar se gastam...”

Gabarito: C
Descritor 10 – Identificar as marcas lingüísticas que evidenciam o locutor e o interlocutor de um texto.


O MACACO E O COELHO
                            Monteiro Lobato
            Um macaco e um coelho fizeram a combinação de um matar as borboletas e outro matar as cobras. Logo depois o coelho dormiu. O macaco veio e puxou-lhe as orelhas.
            -Que é isso? Gritou o coelho, acordando dum pulo.
            O macaco deu uma risada.
            -Ah, ah! Pensei que fossem duas borboletas...
            O coelho danou com a brincadeira e disse lá consigo: “Espere que te curo”.
            Logo depois o macaco se sentou numa pedra para comer uma banana. O coelho veio por trás, com um pau, e lepte! Pregou-lhe grande paulada no rabo.
            O macaco deu um berro, pulando para cima duma árvore, a gemer.
-        Desculpe, amigo, disse lá de baixo o coelho. Vi aquele rabo torcido em cima da pedra e pensei que fosse cobra.
Foi desde aí que o coelho, de medo do macaco vingar-se, passou a morar em buracos.
                     (In. Histórias de Tia Anastácia. SP, Brasiliense, 1950, p. 121)

1.     No texto, a frase “Espere que te curo” significa que o coelho

(A)   diz ao macaco que vai curá-lo.
(B)   diz a si mesmo que vai vingar-se do macaco.
(C)  diz ao macaco que vai vingar-se dele.
(D)  diz a si mesmo que vai curar-se.

Gabarito: B
Descritor 13 – Identificar efeito de ironia ou humor em textos variados





segunda-feira, 9 de abril de 2012

PROVA - ALGUMAS DICAS PARA ELABORAÇÃO DE QUESTÕES ABERTAS


 

1 – PROVA RESPOSTA ABERTA
          É do tipo de avaliação em que o professor propõe algumas questões a serem respondidas por escrito, pelos alunos. Tanto a formulação como suas respostas são relativamente livres.
          Este tipo de prova recebe o nome de prova aberta, de resposta livre, discursiva, teste com itens do tipo ensaio, prova subjetiva.
          A dissertação deve ser adotada quando se quer verificar a compreensão global, através do raciocínio interpretativo.


1.1 Vantagens
-      Fácil organização, poucas questões, itens escritos no quadro.
-      Permitem a reflexão do aluno.
-      Excluem adivinhação e o fator.
-      Proporciona a oportunidade de julgamento mais criterioso, visto que o professor pode comparar as respostas e tem tempo para determinar melhor o valor de cada questão.
-      Úteis para diagnosticar interpretações incorretas, conceitos não entendidos.
-      Oferecem aos alunos oportunidade de selecionar aspectos mais importantes e organizar o conhecimento sobre o assunto.

1.2 Desvantagens

-      Seus resultados representam pouca amostra do tema.
-      Elaboração acabe sendo menos cuidadosa: generalizações, ambigüidade, critérios livres de correção.
-      Sendo mais trabalhosa para o aluno, a abrangência será melhor.
-      Podem ser interpretadas subjetivamente.
-      A nota poderá ser influenciada pelo conceito anterior do aluno pelo tipo de letra, pelos erros de português...

1.3 Cuidados a serem observados

-      Não improvisar.
-      Utilizar em circunstancias especiais: interpretações, relações, etc.
-      Cuidadosa redação de cada item.
-      Não formular itens de respostas longas.
-      Correção anônima dos testes: correção por questões ou correção de várias pessoas.
-      Limite e defina a liberdade do aluno ao responder a questão.
-      Indique claramente em cada questão a extensão e a profundidade das respostas desejadas.
-      A terminologia usada na formulação do tema deve exprimir, de forma tão exata quanto possível, qual o nível e tipo de tratamento para uma resposta satisfatória.
-      Questões do tipo “que você pensa sobre...”, “Em sua opinião...”, servem para avaliação da área afetiva (altitude, ideais, preferência do aluno), ou para medir a habilidade de o estudante fazer uma defesa lógica e bem fundada do seu ponto de vista. Neste caso, o professor não deve avaliar o ponto de vista em si do estudante, mas sua capacidade de defendê-lo adequadamente.

1.4 Técnica de elaboração

-      Formular questões amplas e relevantes, procurando os aspectos significativos do que o aluno deve saber para aprová-lo e não questões de valor puramente acadêmico para reprová-lo.
-      Redigir as questões de forma clara e precisa, usando adjetivos e advérbios. Estes devem esclarecer o que desejamos que o aluno responda e como deve fazê-lo.
-      Prever o tempo de forma adequada evitando prorrogações, o que prejudicaria o bom estudante.
-      Elaborar todas as instruções por escrito, de forma clara. Caso não seja possível , proporcionar todas as explicações antes de iniciar a prova para evitar dispersar a atenção ou tumultuar o ambiente com interrupções perfeitamente evitáveis.
-      As questões devem ser escritas com letra clara no quadro de giz ou distribuídas  mimeografadas.
-      Não permitir ruídos desnecessários nem conversas paralelas.
-      Organizar um padrão de correção, contendo para cada questão os elementos essenciais e respectivos valores parciais.
-      Corrija questão por questão e não prova por prova, o que facilita a correção porque em pouco tempo memorizamos cada questão , seus itens e valores, evitando que pela continuidade uma excelente resposta nos torne benevolente para uma fraca resposta ou uma péssima resposta nos predisponha negativamente para a resposta seguinte.



quinta-feira, 5 de abril de 2012

QUAL A SUA EXPECTATIVA?


AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM COMO PRÁTICA DE INVESTIGAÇÃO PEDAGÓGICA


AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM COMO PRÁTICA DE INVESTIGAÇÃO PEDAGÓGICA

Silvana Maria Guimarães Machado
*Mestre em Educação

Avaliação da Aprendizagem ainda é um tema muito discutido por educadores em todo Brasil, contudo, há um consenso geral que a mesma constitui-se um processo importante para condução do processo de ensino na escola.

Processos cognitivos e sociais que permeiam a aprendizagem

Antes de aprofundarmos a discussão sobre a prática avaliativa é imprescindível uma breve alusão à construção teórica sobre os procedimentos cognitivos e sociais que elaboramos quando aprendemos algo novo. Pois como Vasconcelos afirma:

“É necessário mudar tanto a concepção quanto a prática, o que significa, por um processo de aproximações sucessivas, construírem a práxis transformadora. A práxis, é essa articulação viva entre ação e reflexão; é a ação informada pela reflexão e a reflexão desafiada pela ação”.

VASCONCELOS, 1989

O primeiro ponto de reflexão que devemos estar atentos é o fato de que o currículo e a avaliação estão intrinsecamente relacionados com a forma de conceber a aprendizagem. Nesse sentido, Vygotsky (1984) muito contribui para o entendimento da aprendizagem, como se dá o acesso a conhecimentos novos numa perspectiva que considera o desenvolvimento do ser social como resultado do processo sócio-histórico numa interação multifacetada do sujeito com o meio e com outros sujeitos.
Lev S. Vygotsky (1896-1934) considera fundamental no processo da aquisição de um novo conhecimento a categoria da mediação, para ele, o homem, enquanto sujeito histórico e interativo não tem acesso direto ao conhecimento, mas um acesso mediado, através de recortes do real por meio dos sistemas simbólicos a que tem contato. Desta forma, a ênfase recai sobre a construção do conhecimento como uma interação dialética mediada por várias relações. Na educação formal, o professor, enquanto mediador neste processo age facilitando ao aluno a chegada ao conhecimento.
A idéia de mediação de Vygotsky coloca o indivíduo como determinado e determinante no mundo em que vive na medida em que  age sobre a realidade transformando-a por meio da interação.
Os meios/ circunstâncias/pessoas que mediam a relação do homem com o mundo se constituem como “ferramentas auxiliares” da atividade humana. O homem pode criar “ferramentas” na condução da aquisição de aprendizagens, num processo de “internalização” em que uma atividade externa transforma-se em atividade interna, o “interpessoal”  que se torna, com o tempo,  “intrapessoal”.
 Vygotsky (1984) quando cita as funções mentais humanas, refere-se aos processos de: pensamento, memória, percepção e atenção. Estas funções mentais estão relacionadas ao processo de aquisição de novos conhecimentos, passando necessariamente por pré-requisitos básicos como a motivação, interesse, necessidade, impulso, afeto e emoção. Como essencial ao processo de desenvolvimento coloca-se a interação social e a linguagem enquanto sistema simbólico de valor cultural e social.
Nesta concepção existem dois níveis de desenvolvimento identificados por Vygotsky: um real - já internalizado e adquirido, e um potencial - a capacidade de aprender do sujeito. A distância entre o desenvolvimento real e o potencial é chamada de zona de desenvolvimento proximal, ou seja, esta é a “distância” entre o que o indivíduo pode fazer com autonomia e o que ele será capaz de fazer por meio das interações de outras pessoas, interações estas, na escola, intencionais e direcionadas.
Essa teoria deixa clara a necessidade de investigação com centralidade no sujeito, visto que, as ações de mediação devem ser diversificadas, levando em consideração que, para cada um, há uma zona de desenvolvimento proximal diferenciada. Mesmo o conhecimento real não é o mesmo para todos se considerarmos que há vários estratos e nuanças culturais numa mesma comunidade.
Assim, o processo de aprendizagem constitui-se em um sistema de trocas com outros sujeitos, com a cultura e com o próprio sujeito. Deste desenvolvimento surge a formação da própria consciência.  Trata-se de um processo, que translada do plano social - relações interpessoais, para o plano individual interno - relações intrapessoais. Assim, a escola, enquanto lugar de intervenção pedagógica intencional e diretiva desencadeia o processo ensino-aprendizagem de forma sistemática. O professor tem a responsabilidade direta de atuar na mediação deste processo, ou mesmo, realizar inferências na zona de desenvolvimento proximal dos alunos.
A análise da teoria sócio-histórica da aprendizagem deixa claro que temos vários mediadores durante a vida, sob várias circunstâncias culturais e sociais que vão moldando o nosso desenvolvimento enquanto sujeitos de uma realidade objetiva. No entanto, a escola é o ambiente cultural, que intervém de forma intencional e deliberativa na formação humana e na apreensão de conceitos científicos (expresso em currículos) como parte de um sistema organizado de conhecimentos.
Nesta concepção algumas considerações são de extrema relevância:
·        O aluno não é apenas o que aprende, mas aquele que se relaciona e, nesta ação interativa, junto ao outro, participa de toda uma produção social e cultural.
·        O sujeito não é apenas ativo, é interativo, pois constrói conhecimentos em relação intra e interpessoais.
·        O educador, portanto, constitui-se como orientador dos alunos com a missão de transformar o desenvolvimento potencial em desenvolvimento real.
·        O ensino parte do grupo para o indivíduo, o que torna o ambiente escolar importante na internalização das atividades cognitivas.
·         O desenvolvimento mental só pode realizar-se por meio do aprendizado, que por sua vez depende das interações sócio-históricas do indivíduo.
Orientar o processo ensino aprendizagem, atuar na mediação ao conhecimento, é anteceder ao desenvolvimento da criança, vislumbrar na potencialidade o caminho a ser construído numa salutar interatividade. A aprendizagem centra-se no que pode “vir a ser desenvolvido” e não apenas nas dificuldades que temos hoje, esta última é apenas ponto de partida.