quarta-feira, 23 de julho de 2014

AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL

AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL

A educação de qualidade é um fator importantíssimo para enfrentar os desafios que o mundo moderno nos impõe a formar cidadãos capazes de construir uma sociedade mais justa, solidária, respeitosa dos direitos humanos e da eqüidade no uso do conhecimento e da informação. A avaliação institucional pode converter-se em importante ferramenta para guiar a transformação da educação nas escolas públicas de ensino. Portanto, a SEDUC tem priorizado a discussão de parâmetros de avaliação institucional que levem em conta as características da educação em cada localidade na superação dos desafios que marcam toda a conjuntura educacional do Estado do Maranhão, da região Nordeste e mesmo do país.
Segundo SOBRINHO, a avaliação deve ser necessariamente participativa e global e tem como etapas imprescindíveis a sensibilização, a auto-avaliação, a avaliação externa, a tomada de decisões e a reavaliação permanente. A avaliação, a favor do desenvolvimento social, ganha níveis diferenciados de complexidade, que precisam de uma correspondente elucidação teórica, epistemológica, técnica, ética e política dentre outras.
A avaliação opera com valores, afirmando alguns e negando outros, de acordo com as distintas visões de mundo de seus agentes.  As informações oriundas da avaliação, por ter uma importância social, ganha interesse da comunidade de referência, induzindo comportamentos, modelando sistemas, instituições e currículos, impactando subjetividades.
No entanto, obstante da importância da avaliação na vida coletiva, concepções contraditórias permeiam este campo em especial. Segundo SOBRINHO há dois paradigmas que orientam as práticas de avaliação: o heurístico e o experimentalista.
¨     Paradigma Heurístico – de natureza predominantemente qualitativa, voltado para a realidade numa versão fenomenológica e subjetivista. Os processos têm  centralidade  no sujeito, tem função formativa e está comprometida com a ética sem perder de vista  as relações de poder . Busca compreensão holística por considerar que a realidade é um todo indissociável, valoriza os processos em detrimento do produto, considera as representações sociais e vivências, tendo como premissa máxima a participação.
¨     Paradigma experimentalista – de predominância do quantitativo, enfatizando aspectos técnicos na elaboração de instrumentos, numa visão objetiva e empirista da realidade. Os indivíduos são objeto da avaliação, fornecem informações, não elaboram/discutem/emitem juízos e não se responsabilizam. Os resultados é que são importantes e devem ser processados também tecnicamente, de preferência externamente.
Apesar de distintos, segundo o autor, os paradigmas em questão possuem pontos complementares, sendo possível a utilização de instrumentos quantitativos com uma abordagem qualitativa,  ter objetividade sem anular o sujeito e sua práxis como ser ativo e de vital importância para a efetivação de ações emancipatórias,  a realidade deve ser entendida como uma totalidade complexa na qual as dimensões interagem  sendo de responsabilidade de todos a melhoria da instituição educativa.

1.     Objetivos da Avaliação Institucional
¨     Alcançar o autoconhecimento com vistas a formulação de subsídios orientadores na tomada de decisões para a melhoria da  qualidade escolar,  do sistema educativo como um todo num compromisso coletivo com a transformação social;
¨     Oportunizar reflexões sobre o cotidiano escolar, identificando as potencialidades e  dificuldades no sentido de direcionar ações que otimizem o fazer pedagógico na escola;
¨     Disseminar a cultura avaliativa nas escolas com vistas à otimização dos recursos humanos e materiais, processos e resultados, considerando o caráter formativo e regulador da avaliação.
¨     Orientar a política de valorização dos profissionais da educação, sendo parâmetro para decisões de incentivo e gratificações.



2.     Princípios Norteadores da Avaliação Institucional
A avaliação institucional a ser implantada na rede estadual de ensino tem caráter formativo e visa o aperfeiçoamento dos processos, atividades profissionais e da instituição como um todo.  É estruturada a partir dos princípios abaixo relacionados:

2.1 – Participação e Articulação Social
Uma das condições essenciais para o sucesso da avaliação institucional é a PARTICIPAÇÂO de todos os envolvidos com a escola. Quanto mais envolvimento dos sujeitos sociais (professores, alunos, técnicos, membros da sociedade) mais qualidade o processo de avaliação terá. Os olhares precisam ser internos (pessoas da escola) e externos (pais e comunidade em geral).
A participação deve ser ativa em todas as fases, num processo amplo de construção social da escola enquanto instituição formal do saber. Quanto maior o índice de participação, mais engajamento, compromisso e responsabilidade na realização das ações que reverterão o quadro educacional das instituições escolares.
Tanto a avaliação institucional quanto o planejamento geral, não se constituem tarefa do diretor ou de uma pequena equipe de funcionários, mas são de todos os que fazem a escola bem como daqueles que têm expectativas sociais em relação a ela.
Além da participação a avaliação institucional inclui ao fator de articulação social, funções, dimensões, instrumentos, momentos, sentidos internos e relações externas, que possibilitam construção a imagem unitária na compreensão do conjunto, como condição para a construção e/ou reconstrução do ambiente institucional e social.

2.2  – Ênfase no processo
          A atividade de disseminar conhecimento, cultura, tecnologia, reflexão e capacidade crítica é um processo. Por essa razão a avaliação não pode ser realizada em um momento isolado, como uma fotografia da realidade.
“A avaliação tem que ser um processo por meio do qual a escola se conhece, indo às raízes dos fenômenos e das situações, alcançando uma compreensão contextualizada e fundamentada daquilo que está acontecendo”. Módulo IX PROGESTÂO, 2001.

          Portanto, avaliar implica na capacidade constante de auto-avaliação no dia a dia da escola, buscando sempre aprimorar as ações e minimizar os problemas que surgirem.

2.3  – Caráter Holístico
A avaliação é global em duplo sentido: porque envolve todas as atividades e processos  da instituição, como também todos os sujeitos que participam da escola ou mesmo projetam expectativas sociais sobre ela. Além disso, esse processo implica em “resultados”, isto é, alunos cidadãos formados com qualidade educacional.
A avaliação é ainda um processo contínuo e sistemático, resultando em muito esforço, gerando um leque de informações que precisam ser analisadas pelos envolvidos, não polarizando-as, mas abrangendo as diversas dimensões que constituem a escola no cumprimento de sua função.

2.4  – Competência e legitimidade
A avaliação precisa ser tecnicamente competente e politicamente legítima. É necessário que a comunidade interna e externa da escola reconheça que as estratégias de avaliação (procedimentos, instrumentos e aproveitamento dos resultados) estejam corretas e coerentes.
Os condutores do processo de avaliação, tanto internos quanto externos à instituição devem ser aceitos, ou seja, ter legitimidade reconhecida por todos. O processo avaliativo deve primar pela ética e respeito às diferenças individuais dos sujeitos envolvidos. Qualquer empreendimento é inicialmente referendado pelos seus condutores, a escolha da comissão que conduzirá todo o processo  deverá ser orientada pela representatividade, responsabilidade e postura ética e política de seus componentes.

2.5  – Cultura Institucional
O processo de avaliação institucional precisa fazer parte do seu cotidiano. É mais que constar em calendário escolar, pois implica em ser incorporada, internalizada nos sujeitos do processo pedagógico e da gestão educacional. Todo fazer educativo deve estar relacionado aos indicadores prescritos na avaliação para que, ao ser reavaliada, possa ter parâmetros para dimensionar o crescimento nas áreas outrora identificadas como frágeis.

2.6  – Flexibilidade, negociação e cooperação
Todo processo qualitativo assegura a flexibilidade, uma vez que alguns ajustes se fazem necessários, evidentemente sem comprometer os propósitos maiores da avaliação.
A negociação e cooperação são princípios relevantes nesse processo, seja no planejamento, levantamento de dados, organização e desenvolvimento da proposta, pois legitima o caráter pedagógico transformador, formador de valores e princípios institucionais, na consecução de uma proposta democrática e emancipadora.


A negociação e cooperação dão legitimidade ao processo, trazendo benefícios mútuos, melhoria contínua, estimulando cada vez mais a participação e construção de uma cultura avaliativa.



quinta-feira, 8 de maio de 2014

PASSO A PASSO PARA CONSTRUÇÃO DO PME



PASSO A PASSO PARA CONSTRUÇÃO DO PME

PROF MESTRE SILVANA MACHADO

Algumas etapas são importantes para a construção do Plano Municipal de Educação como política de estado, o que vai muito além da política estadual e municipal em vigência na administração pública, pois é uma ação que envolve todos os que fazem a educação no município das esferas pública e privada em seus vários níveis e etapas de educação básica, bem como a sociedade civil.
Conforme acertado no Encontro no Palácio Henrique de La Roque com as prefeituras presentes todas as etapas de construção do PME devem ser vencidas até março de 2014, para aprovação do documento final antes do período da eleição de governantes.
Elencaremos a seguir, alguns passos que nortearão os trabalhos de construção do PME, que necessariamente podem acontecer em outra ordem ou concomitantemente.


1º PASSO – ADESÃO DO MUNICÍPIO à Assistência Técnica por parte da SEDUC e MEC

            A adesão deve ser feita pela assinatura do Prefeito em documento específico na SEDUC. A partir daí a SEDUC prestará assistência técnica quando necessária ás equipes municipais para elaboração do PME, envolvendo os municípios em ações de orientação em encontros presenciais e à distância.
A equipe de assistência técnica é composta por técnicos da SEDUC e UNDIME com apoio do MEC. Os municípios que aderirem a esta assistência estarão sendo apontados para o MEC que estão no processo de construção de seus PMEs podendo receber recursos no PAR para execução de atividades correlatas a essa ação.





2º PASSO – INDICAÇÃO DO CONSULTOR MUNICIPAL

            Após a assinatura do termo de adesão o município deve indicar um técnico da SEMED que será o articulador direto com a comissão técnica da SEDUC e UNDIME. Este receberá todo material de apoio e orientações necessárias à desenvoltura dos trabalhos relativos ao PME. O Consultor Municipal deve preencher cadastro específico e encaminhar á SEDUC/UNDIME, este será o mobilizador da equipe integrante da comissão local que redigirá o PME. .

3º PASSO – CONSTITUIÇÃO DA COMISSÃO LOCAL PARA ELABORAÇÃO DO PME (EQUIPE DE SISTEMATIZAÇÃO)

            Essa comissão local deve ser constituída por portaria da SEMED designando a equipe que será diretamente responsável pelo estudo dos referenciais normativos e elaboração do documento em versão preliminar. Essa comissão deve, na medida que for construindo o texto do PME, apresentar a produção ao fórum para contribuições e aprovação do texto.

4º PASSO – CONSTITUIÇÃO DO FÓRUM MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO

            O FÓRUM representa todo o município e deve ser constituído por vários segmentos da sociedade civil e pessoas diretamente ligadas a educação em todos os níveis e esferas. As reuniões do FÓRUM devem ser registradas em ata de acordo com regimento interno de constituição.

5º PASSO -  SENSIBILIZAÇÃO DA SOCIEDADE CIVIL E EDUCADORES DO MUNICÍPIO

Uma vez instituído o FÓRUM e a equipe de sistematização, deve-se realizar no âmbito do município ações de sensibilização como: colóquios, seminários, eventos em geral, que promovam a divulgação sobre a importância do PME e a característica dos trabalhos coletivos de sua elaboração.

6º PASSO – DEFINIÇÃO E ESTUDO DOS MARCOS NORMATIVOS QUE NORTEARÃO A CONSTRUÇÃO DO PME

            Dentre os marcos normativos a SEDUC/UNDIME disponibilizará em e-mail (institucional) documentos essenciais para o alinhamento dos PMEs como Estadual e o Nacional. Dentre estes o PNE, o PEE, portarias, modelo de regimento, etc.

7º PASSO – ELABORAÇÃO DO PME – DIAGNÓSTICO, METAS E ESTRATÉGIAS

Para elaboração das metas é bom dividi-las em subgrupos para produção das estratégias, nesses grupos é importante ter educadores que tenham estudo e experiência correlatas à temática. Os principais sub-temas:
  GT DE EDUCAÇÃO INFANTIL – CHECHE E PRÉ-ESCOLAS
  GT DE ENSINO FUNDAMENTAL – SÉRIES INICIAIS E FINAIS
  GT DE ENSINO MÉDIO REGULAR E PROFISSIONAL
  GT DE EDUCAÇÃO SUPERIOR
  GT DE MODALIDADES E DIVERSIDADES
  GT DE FORMAÇÃO E VALORIZAÇÃO DOS PROFISSIONAIS DE EDUCAÇÃO
  GT DE GESTÃO ESCOLAR E FINANCIAMENTO DA EDUCAÇÃO
  GT DE COORDENAÇÃO GERAL E ARTICULAÇÃO POLÍTICA



8º PASSO – APROVAÇÃO E VALIDAÇÃO DOS TEXTOS PELO FÓRUM

            Cada GT deve agendar reuniões de estudo e produção para a seguir reunir com o FÓRUM para apresentação do texto com o diagnóstico, metas e estratégias, para debate e aprovação.

9º PASSO - ORGANIZAÇÃO DO TEXTO FINAL – CONSULTA PÚBLICA

            Após apresentação e organização do material dos GTs, a equipe de coordenação geral deve formatar e revisar o TEXTO PRELIMINAR DO PME e colocar por um período razoável (15 a 30 dias) em consulta pública, em site. Caso haja dificuldades para essa publicação em site, entrar em contato com a equipe da UNDIME/SEDUC para viabilizar esse procedimento.

10º PASSO - ENCAMINHAMENTO À CÂMARA MUNICIPAL PARA APROVAÇÃO




           
Após consulta pública o documento deve ser reformulado com as devidas contribuições e encaminhado em versão final para a Câmara dos Vereadores.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

RESUMO DO TEXTO FILOSOFIA DA PRAXIS - VAZQUEZ



VAZQUEZ, Adolfo Sanches. Filosofia da Praxis - Unidade entre Teoria e Prática. 2ª ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1977, p. 209 - 243


            O autor inicia o texto,  enfatizando que a teoria e a prática são indissociáveis, diferentes, mas não opostas, a não ser  que a relação entre elas seja falsa. O senso comum baseia-se na prática negando a  teoria, no lugar desta, há o ponto de vista fluido facilmente distorcido e legitimado pela consciência ordinária. “O ponto de vista do senso comum  é a praticismo, prática sem teoria, ou com o mínimo dela”: 211
            O pragmatismo é um pensamento filosófico, que concebe a relação entre teoria e prática a nível de uma doutrina filosófica. “ O pragmatismo reduz o prático ao utilitário, com que acaba por dissolver o teórico  do útil.”:212
            Segundo o autor, alguns acusam o marxismo de usar a concepção pragmática, o que é um grande equívoco. Vejamos alguns exemplos  conceituais que demarcam bem a diferença entre o marxismo e o pragmatismo:
CONCEITOS
PRAGMATISMO
MARXISMO
Unidade  ou função prática social da ciência.
Base no interesse individual e egoísta.
Sentido de utilidade social com vistas à transformação da realidade.
Verdade e critérios de verdade.
Verdade é o que é útil e é resultante da prática individual, os  critérios são específicos.
Verdade é a  reprodução espiritual da realidade, a prática concebida como atividade material, transformadora e social.
Prática
Ação objetiva voltada para os interesses do indivíduo. Produção de uma realidade  material.
Ação material, objetiva, transformadora que atende aos interesses sociais. Desenvolvimento incessante da atividade humana.

            Outra discussão impõe-se: o entendimento que a teoria é onipotente em sua relação com a praxis, sendo independente e soberana, podendo inclusive cair em degradação a partir do contato com a realidade. Segundo o autor,  teoria e prática são componentes de uma só unidade, sendo simultaneamente autônomas e dependentes  entre si. Esta relação pode ser observada num plano histórico social e em determinadas atividades de produção num plano prático.
            Retomando Engels, o autor afirma que a prática é o fundamento da teoria, pois a partir  da transformação da natureza pelo homem a inteligência humana foi crescendo e desenvolvendo. A relação prática que o homem estabelece com o meio obriga-o a pensar sobre a sua prática, seus problemas e soluções.
            A exemplo que as teorias se desenvolvem a partir da necessidade de produção humana, o autor cita várias ciências pontuando seu desenvolvimento  mediante as demandas históricas e sociais: a física, a química e as matemáticas.  Tal evolução também decorre do inter-relacionamento das ciências afins , como afirma o autor:
“Em suma, de forma mais ou menos direta,  a produção através do processo técnico por ela exigido, não cessou de impulsionar as matemáticas,  estas são um poderoso estímulo e fonte de desenvolvimento nas exigências da física, particularmente da quântica, que a cada momento a ela recorre para descrever e explicar suas descobertas”:220

Considerando as exigências da prática moderna há uma tendência ao desenvolvimento da teoria. Segundo o autor, a ciência não só serve a produção mas está em suas entranhas, nas máquinas, na automação e na tecnologia. Nesse sentido, “teoria e prática se  unem e se fundem mutuamente”:223
            A exemplo da unidade entre teoria e a prática observa-se a própria teoria de Marx e Engels  quando retoma a prática social como condição para o nascimento e desenvolvimento teórico. “A teoria da revolução surge em estreita relação  com a atividade prática  e se enriquece com novas soluções à medida em que se enriquece  a luta revolucionária do proletariado.”:223
            O autor passa a uma análise da Teoria marxista, sua evolução  tendo como referência a prática social, no intuito de  elaborar rigorosamente sua teoria da revolução. A priori faz um balanço da prática revolucionária, para a seguir dedicar-se a abordagem de  problemas relacionados à revolução, como: estado, luta de classes, etc. Seu interesse teórico centraliza-se no modo produção capitalista e suas contradições, para então, dedicar-se às obras econômicas numa investigação das estruturas de  formação econômico-social  do capital.  A obra de Marx  O Capital distingue-se de todas as teorias econômicas por seu caráter científico  identificar-se com a  praxis revolucionária. “O Capital  começa com a análise profunda da mercadoria e termina com as classes sociais, ainda que Marx só tenha podido dedicar a  esta análise vinte linhas de um capítulo que não pôde escrever.”: 227
            Um pensamento interessante , é que a prática sempre surpreende e, por vezes,   traz experiências novas que rompem limites teóricos, daí o enriquecimento dinâmico da teoria. É o que acontece quando Lênin amplia concepções marxistas sobre a teoria da revolução. “A teoria revolucionária  não se desenvolve em prol da teoria mesma, e sim em nome da praxis; é uma teoria  baseada na prática que tende, por sua vez,  a resolver contradições que se apresentam real e efetivamente.”:230. A teoria, no entanto, extrapola os limites da realidade da praxis, tem uma relativa autonomia pois, é  capaz de orientar práticas que não existem materialmente, através da finalidade – “antecipação ideal da prática que ainda não existe”:233.
            Segundo o  autor, a prática tem sua racionalidade, mas é exatamente a teoria que a explicita: revelando-a. A prática tem papel determinante, como fundamento, finalidade e critério. O papel da teoria  torna-se importante pois é em relação com a teoria que a praxis é compreendida. Entre teoria e prática deve haver unidade e não identidade, uma relação de autonomia é condição indispensável para que “ a teoria sirva a prática, já que implica na exigência de que a teoria não se limite a ir a reboque da prática, e sim que, em maior ou menor grau, se antecipe a própria prática”:238. Mesmo esta autonomia  tem graus de relatividade pois ambas são dependentes sob o ponto de vista do condicionamento.
“A praxis é, na verdade, atividade teórico-prática, ou seja,  tem um lado ideal, teórico e um lado material, propriamente prático com a particularidade de que só artificialmente, por um processo de abstração, podemos separar, isolar um fato.”:  241
            A prática tem uma  racionalidade oculta, necessitando de um olhar especial.  O autor coloca a necessidade do domínio de uma “linguagem conceitual correspondente” (235), para o entendimento do fenômeno científico. A ciência proporciona a chave para o entendimento de sua própria prática experimental.
            Numa sociedade capitalista, que se baseia no falseamento da verdade no âmbito da prática material, o conhecimento científico tem extremo valor  revelador. Tal premissa abre o debate para importância da teoria no socialismo ou  no comunismo, já que nestes modelos a produção pressupõe uma transparência nas relações de produção. O autor afirma que a teoria será sempre necessária, “a prática não fala por si mesma e exige uma relação teórica com ela: a relação da práxis”:237
            A praxis implica na subjetividade e objetividade,  pois “ da mesma maneira que  a atividade teórica, subjetiva, por si só, não é a praxis, tão pouco o é uma atividade material do indivíduo, ainda que possa desembocar na produção de um objeto, quando lhe falta o momento subjetivo, teórico, representado pela consciência dessa atividade”:241
            A consciência tem por sua vez, que introjetar certo dinamismo no processo de produção para alcançar o plano ideal proposto ou  modifica-lo ( pois sempre o real, por suas múltiplas determinações, interfere no plano ideal). O produto real é  o fim do processo interativo entre o ideal e o plano prático.
            O que nos parece  marcante no texto, é que a teoria parte da prática e a  ela retorna com um conhecimento elaborado concretamente. Tal movimento é dinâmico, pois na  ação de retornar à prática, esta já não é mais a mesma, a teoria então modifica-se, daí a importância de sua característica prognóstica. A praxis é exatamente este todo dialético teórico-prático que não pode ser dissociado.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Organização do Diagnóstico



Organização do Diagnóstico no PME
Profª Silvana Machado

1.    PRA COMEÇO DE CONVERSA - O QUE É O DIAGNÓSTICO?

O termo diagnóstico provém da medicina que, por princípio, procura localizar as causas dos sintomas físicos e mentais, a fim de prescrever os respectivos tratamentos.
Portanto, a ordem dos acontecimentos está claramente indicada na seguinte regra: "antes de dosar e tratar, diagnosticar".

ANTES DE DIAGNOSTICAR,  SE QUESTIONAR!
Antes do levantamento de dados, é necessário se questionar sobre quais são os problemas que você e a sua equipe pensam que seu município possui na área educacional.
  Pergunte-se:
1.    Por quê devemos agir?
2.    O que não está bom?”
3.    “Para quem não está bom?
Porque é comum cometermos erros no diagnóstico?
Principalmente pela Ideia inicial: nós “sabemos” qual é “o” problema deles, a partir de nossos valores e nossa perspectiva. Mas, é impossível conhecer toda realidade do outro! Então, cuidado! Tenha claro o que procura saber e o que acha que já sabe, pois “o” problema deles pode ser outro.
Um bom começo: fazer uma boa pergunta é a base para elaborar uma boa resposta.

DIAGNÓSTICO EDUCACIONAL : O QUE É?

1.     Levantamento de dados: coleta de informações sobre um grupo social, focando em seus problemas.
2.     Metodologia e fontes: coletar dados já prontos (IBGE, INEP, Governo do Estado, Prefeitura,) e caso necessário produzir seus próprios dados (público-alvo).
3.     Análise dos dados: comparação crítica entre as informações e problemas levantados sobre aquele grupo, com as informações e problemas de toda a população no qual estão inseridos; visando escolher quais problemas serão enfrentados.



2.    FOCO PARA ORGANIZAÇÃO DO DIAGNÓSTICO NO PME


            Para se montar um diagnóstico é imprescindível  ter um foco. No caso do PME duas vertentes são indispensáveis ás análises:

  Atendimento - relação população existente e atendimento educacional pelas redes, observando as faixas etárias.
  Qualidade – indicadores de aprendizagem, rendimento (aprovação, reprovação e repetência), permanência na escola, pesquisa de satisfação na comunidade, etc.

Muitos autores concordam que há  três passos básicos para um bom diagnóstico:

  Hipótese: explicitar “o” problema, que pensamos ser o principal.
  Antítese: levantar dados, em várias fontes, verificando se aquele é mesmo “o” problema.
  Síntese: analisar criticamente os dados, verificando qual é o real problema (causas e consequências).

3.    ANÁLISE DE DADOS ESTATÍSTICOS

Para analisar os dados coletados é importante ter em mente alguns questionamentos e a partir das possíveis respostas deve-se escrever um texto explicativo e inquiridor que leve diretamente a metas e estratégias para reverter os indicadores analisados.

UM EXEMPLO: EDUCAÇÃO INFANTIL
  A população em idade de creche está sendo atendida? Há oferta em que rede? Qual o percentual de atendimento? A população quer esse atendimento?
  A população em idade de pré-escola está  sendo atendida? Há oferta em que rede? Qual o percentual de atendimento?
  Qual controle de qualidade para a educação infantil no município?
  Há recursos financeiros disponíveis para ampliação de oferta da educação infantil? Em que proporção?
  Há rede física apropriada para educação infantil?
  Há pessoas capacitadas o suficiente para atender a demanda da educação infantil?
  Qual a estimativa legal para esse atendimento? O que o PNE propõe? O que o PEE propõe? O que o município pode propor em seu PME? O que é possível fazer em 10 anos?
  O que pode contar como apoio do governo federal e estadual?



4.    SUGESTÕES PARA ORGANIZAÇÃO DE DADOS DO DIAGNÓSTICO POR GRUPOS DE TRABALHO

Para composição do diagnóstico do PME a coleta de informações, bem como as análises qualitativas, devem ser realizadas por etapas em grupos de trabalho - GT, de preferência composto por pessoas com alguma experiência ou estudos na área foco do GT.  Algumas sugestões para a organização dos GTs:
  GT de educação infantil – cheche e pré-escolas
  GT de ensino fundamental – séries iniciais e finais
  GT de ensino médio regular e profissional
  GT de educação superior
  GT de modalidades e diversidades
  GT de formação e valorização dos profissionais de educação
  GT de financiamento da educação
  GT de coordenação geral e articulação política

Os GTs facilitam o desenvolvimento do diagnóstico e a construção das metas e estratégias do PME. Podem funcional concomitantemente ou um de cada vez, mas essa organização é importante para registro das informações.

5.    CONCLUSÃO
Considerando o exposto o diagnóstico educacional no PME consiste na utilização de recursos, meios e processos técnicos com o objetivo de localizar e avaliar os problemas e dificuldades da educação municipal, determinando suas causas, para preveni-las e corrigi-las.
O diagnóstico na educação está ligado à identificação dos problemas específicos, devendo ser, primeiramente, encontrado o problema mais frequente naquele meio escolar (econômico, social, do professor, etc...), possibilitando, assim, uma orientação de intervenção apropriada. É preciso, também, pesquisar o problema real e não somente aquele apresentado pelo indivíduo, fazendo-se bem nítida a diferença entre os sintomas e as causas.

O diagnóstico constitui-se numa das fases mais importantes do trabalho da educação, pois se preocupa constantemente com a análise das dificuldades do atendimento e rendimento escolar, dos desajustamentos na escola e com as falhas do processo educativo. Quando se trata de educação é preciso sempre lembrar que é muito mais importante em todo o processo educativo a clientela,  a forma como é atendida com qualidade, se desenvolve e as demandas que lhe são inerentes.