quarta-feira, 2 de maio de 2012

A AUTO-AVALIAÇÃO


AUTO-AVALIAÇÃO


Entre as diversas práticas escolares que privilegiam o exercício da autonomia, auto-avaliação ganha destaque (no sentido de fazer o aluno aprender a pensar, argumentar, criticar, defender, concluir. Isso permite um processo de aprendizagem criativo  significativo, bem como favorece um diálogo mais profícuo entre os sujeitos da aprendizagem na construção do conhecimento.
A auto-avaliação como instrumento de avaliação da aprendizagem pouco ou nada se utiliza em sala de aula, apesar de sua importância já ser conhecida desde a década de 80, mais precisamente no ano de 1983 na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC) fazendo parte do programa de Educação e Currículo. (Masetto 2004). A verdade é que ainda não incorporamos no cotidiano da escola a concepção de auto-avaliação do ensino (feita pelo professor) e auto-avaliação da aprendizagem (feita pelo aluno).
Numa concepção de educação cujo foco do ensino é o aluno pensante, crítico, transformador, orientar a avaliação para uma prática formativa, é coerente privilegiar a auto-avaliação como pressuposto para avançarmos mais rapidamente em direção a uma concepção mais atual de ensino e aprendizagem.
A prática da auto-avaliação deve se apresentar de forma individual e grupal, privilegiando o currículo de forma global e não apenas atitudinal. Os estudantes nos mais diversos níveis de ensino devem refletir sobre seus avanços e dificuldades relativos a sua socialização e sua aprendizagem.
Nesse sentido a auto-avaliação torna-se um instrumento concebido para possibilitar que os alunos analisem seu próprio desempenho. Tal análise pode se apresentar de forma oral ou por escrito, destacando pontos positivos ou negativos, necessidades ou avanços, ou seja sua evolução e condições de produção no processo de aprendizagem.
Ao optar pela auto-avaliação como instrumento avaliativo em sala de aula, o/a professor/a precisa ter ciência do alcance de várias etapas como:
1.     Cercar o processo de auto-avaliação do maior grau de legitimidade; visto que o aluno não poderá se atribuir um conceito ou nota de forma aleatória, já que esta ainda passará pela análise do professor.
2.     Acreditar que a auto-avaliação pode significar um excelente instrumento de reflexão sobre a prática educativa, contribuindo para maior conscientização crítica e autonomia intelectual das pessoas.
3.     Usar o depoimento ou documento (fichas, relatórios e etc.) como fontes para o planejamento das atividades de aprendizagem.
4.     Desenvolver um clima de confiança entre si e os alunos, para que estes acreditem na auto-avaliação e para ajudá-los a aprender.
5.     Mostrar ao aluno o que é esperado dele no âmbito da aprendizagem, para que ele possa fazer sua auto-avaliação com eficácia.

A auto-avaliação inserida no contexto da avaliação mediadora coloca-se como excelente oportunidade para o aluno refletir sobre seu processo de aprendizagem, tomando consciência de suas reais possibilidades para a partir daí junto ao professor estabelecer estratégias adequadas para o acompanhamento curricular.
A importância da auto-avaliação no âmbito escolar de maneira geral é deturpada em função da concepção tradicional de avaliação que perdurou por décadas. Esta atribuía duas áreas para avaliar: área cognitiva e área afetiva, sendo ( a auto-avaliação) específica desta ultima, a qual priorizava aspectos atitudinais como: participação, assiduidade, interesse, iniciativa e etc.
Nos dias de hoje, sabe-se que essas áreas se interligam evitando uma avaliação fragmentada, além do que a auto-avaliação pode ser aplicada em várias áreas do conhecimento; Linguagem, Códigos e suas tecnologias, Ciências Humanas e da Natureza. Contemplando aspectos diferentes do domínio de aprendizagem e relacionando-se tanto com os conteúdos atitudinais como com os conteúdos conceituais e procedimentais.
Atividades curriculares realizadas de forma coletiva devem incluir uma auto-avaliação do grupo, pois é um momento relevante para a formação de atitudes para a boa convivência social, além de envolver a participação de todos os membros, o esforço e a contribuição de cada um para o sucesso das atividades.

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