quarta-feira, 23 de julho de 2014

AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL

AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL

A educação de qualidade é um fator importantíssimo para enfrentar os desafios que o mundo moderno nos impõe a formar cidadãos capazes de construir uma sociedade mais justa, solidária, respeitosa dos direitos humanos e da eqüidade no uso do conhecimento e da informação. A avaliação institucional pode converter-se em importante ferramenta para guiar a transformação da educação nas escolas públicas de ensino. Portanto, a SEDUC tem priorizado a discussão de parâmetros de avaliação institucional que levem em conta as características da educação em cada localidade na superação dos desafios que marcam toda a conjuntura educacional do Estado do Maranhão, da região Nordeste e mesmo do país.
Segundo SOBRINHO, a avaliação deve ser necessariamente participativa e global e tem como etapas imprescindíveis a sensibilização, a auto-avaliação, a avaliação externa, a tomada de decisões e a reavaliação permanente. A avaliação, a favor do desenvolvimento social, ganha níveis diferenciados de complexidade, que precisam de uma correspondente elucidação teórica, epistemológica, técnica, ética e política dentre outras.
A avaliação opera com valores, afirmando alguns e negando outros, de acordo com as distintas visões de mundo de seus agentes.  As informações oriundas da avaliação, por ter uma importância social, ganha interesse da comunidade de referência, induzindo comportamentos, modelando sistemas, instituições e currículos, impactando subjetividades.
No entanto, obstante da importância da avaliação na vida coletiva, concepções contraditórias permeiam este campo em especial. Segundo SOBRINHO há dois paradigmas que orientam as práticas de avaliação: o heurístico e o experimentalista.
¨     Paradigma Heurístico – de natureza predominantemente qualitativa, voltado para a realidade numa versão fenomenológica e subjetivista. Os processos têm  centralidade  no sujeito, tem função formativa e está comprometida com a ética sem perder de vista  as relações de poder . Busca compreensão holística por considerar que a realidade é um todo indissociável, valoriza os processos em detrimento do produto, considera as representações sociais e vivências, tendo como premissa máxima a participação.
¨     Paradigma experimentalista – de predominância do quantitativo, enfatizando aspectos técnicos na elaboração de instrumentos, numa visão objetiva e empirista da realidade. Os indivíduos são objeto da avaliação, fornecem informações, não elaboram/discutem/emitem juízos e não se responsabilizam. Os resultados é que são importantes e devem ser processados também tecnicamente, de preferência externamente.
Apesar de distintos, segundo o autor, os paradigmas em questão possuem pontos complementares, sendo possível a utilização de instrumentos quantitativos com uma abordagem qualitativa,  ter objetividade sem anular o sujeito e sua práxis como ser ativo e de vital importância para a efetivação de ações emancipatórias,  a realidade deve ser entendida como uma totalidade complexa na qual as dimensões interagem  sendo de responsabilidade de todos a melhoria da instituição educativa.

1.     Objetivos da Avaliação Institucional
¨     Alcançar o autoconhecimento com vistas a formulação de subsídios orientadores na tomada de decisões para a melhoria da  qualidade escolar,  do sistema educativo como um todo num compromisso coletivo com a transformação social;
¨     Oportunizar reflexões sobre o cotidiano escolar, identificando as potencialidades e  dificuldades no sentido de direcionar ações que otimizem o fazer pedagógico na escola;
¨     Disseminar a cultura avaliativa nas escolas com vistas à otimização dos recursos humanos e materiais, processos e resultados, considerando o caráter formativo e regulador da avaliação.
¨     Orientar a política de valorização dos profissionais da educação, sendo parâmetro para decisões de incentivo e gratificações.



2.     Princípios Norteadores da Avaliação Institucional
A avaliação institucional a ser implantada na rede estadual de ensino tem caráter formativo e visa o aperfeiçoamento dos processos, atividades profissionais e da instituição como um todo.  É estruturada a partir dos princípios abaixo relacionados:

2.1 – Participação e Articulação Social
Uma das condições essenciais para o sucesso da avaliação institucional é a PARTICIPAÇÂO de todos os envolvidos com a escola. Quanto mais envolvimento dos sujeitos sociais (professores, alunos, técnicos, membros da sociedade) mais qualidade o processo de avaliação terá. Os olhares precisam ser internos (pessoas da escola) e externos (pais e comunidade em geral).
A participação deve ser ativa em todas as fases, num processo amplo de construção social da escola enquanto instituição formal do saber. Quanto maior o índice de participação, mais engajamento, compromisso e responsabilidade na realização das ações que reverterão o quadro educacional das instituições escolares.
Tanto a avaliação institucional quanto o planejamento geral, não se constituem tarefa do diretor ou de uma pequena equipe de funcionários, mas são de todos os que fazem a escola bem como daqueles que têm expectativas sociais em relação a ela.
Além da participação a avaliação institucional inclui ao fator de articulação social, funções, dimensões, instrumentos, momentos, sentidos internos e relações externas, que possibilitam construção a imagem unitária na compreensão do conjunto, como condição para a construção e/ou reconstrução do ambiente institucional e social.

2.2  – Ênfase no processo
          A atividade de disseminar conhecimento, cultura, tecnologia, reflexão e capacidade crítica é um processo. Por essa razão a avaliação não pode ser realizada em um momento isolado, como uma fotografia da realidade.
“A avaliação tem que ser um processo por meio do qual a escola se conhece, indo às raízes dos fenômenos e das situações, alcançando uma compreensão contextualizada e fundamentada daquilo que está acontecendo”. Módulo IX PROGESTÂO, 2001.

          Portanto, avaliar implica na capacidade constante de auto-avaliação no dia a dia da escola, buscando sempre aprimorar as ações e minimizar os problemas que surgirem.

2.3  – Caráter Holístico
A avaliação é global em duplo sentido: porque envolve todas as atividades e processos  da instituição, como também todos os sujeitos que participam da escola ou mesmo projetam expectativas sociais sobre ela. Além disso, esse processo implica em “resultados”, isto é, alunos cidadãos formados com qualidade educacional.
A avaliação é ainda um processo contínuo e sistemático, resultando em muito esforço, gerando um leque de informações que precisam ser analisadas pelos envolvidos, não polarizando-as, mas abrangendo as diversas dimensões que constituem a escola no cumprimento de sua função.

2.4  – Competência e legitimidade
A avaliação precisa ser tecnicamente competente e politicamente legítima. É necessário que a comunidade interna e externa da escola reconheça que as estratégias de avaliação (procedimentos, instrumentos e aproveitamento dos resultados) estejam corretas e coerentes.
Os condutores do processo de avaliação, tanto internos quanto externos à instituição devem ser aceitos, ou seja, ter legitimidade reconhecida por todos. O processo avaliativo deve primar pela ética e respeito às diferenças individuais dos sujeitos envolvidos. Qualquer empreendimento é inicialmente referendado pelos seus condutores, a escolha da comissão que conduzirá todo o processo  deverá ser orientada pela representatividade, responsabilidade e postura ética e política de seus componentes.

2.5  – Cultura Institucional
O processo de avaliação institucional precisa fazer parte do seu cotidiano. É mais que constar em calendário escolar, pois implica em ser incorporada, internalizada nos sujeitos do processo pedagógico e da gestão educacional. Todo fazer educativo deve estar relacionado aos indicadores prescritos na avaliação para que, ao ser reavaliada, possa ter parâmetros para dimensionar o crescimento nas áreas outrora identificadas como frágeis.

2.6  – Flexibilidade, negociação e cooperação
Todo processo qualitativo assegura a flexibilidade, uma vez que alguns ajustes se fazem necessários, evidentemente sem comprometer os propósitos maiores da avaliação.
A negociação e cooperação são princípios relevantes nesse processo, seja no planejamento, levantamento de dados, organização e desenvolvimento da proposta, pois legitima o caráter pedagógico transformador, formador de valores e princípios institucionais, na consecução de uma proposta democrática e emancipadora.


A negociação e cooperação dão legitimidade ao processo, trazendo benefícios mútuos, melhoria contínua, estimulando cada vez mais a participação e construção de uma cultura avaliativa.